O crescimento pessoal é fundamental para se ter uma vida melhor, considera tão ou mais importante quantos o estudo da sedução. Educação Financeira.
Vamos deixar de ser focados só em mulheres!

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Criador do tópico

Erickson

Aprendiz

#290492 Bem, como ninguem respondeu, irei postar uma história aqui que resume meu método de investimento, o buy and hold.
A fonte é o informativo de janeiro de 2009 do http://www.ini.org.br :



TEMA DESTA EDIÇÃO: Um recém formado em engenharia consegue seu primeiro emprego na área em 02/1/1996 e resolve investir nas ações ON da VALE, por influência de seu avô. Veja, na crônica a seguir, o que aconteceu pelo caminho.

São pouquíssimos os brasileiros que têm histórias prolongadas de investimentos na bolsa. Justamente por isso, temos poucas referências. É difícil encontrar uma pessoa próxima que já tenha passado por grandes
turbulências no mercado, e que possa nos transmitir um pouco de sua experiência. O presente artigo, num formato que mais se aproxima de uma crônica, vai ilustrar em detalhes o que seria enfrentar o mercado ao longo de muitas turbulências e por longos anos. Muitos dos leitores vão se identificar com nosso personagem fictício, Arnaldo, recém-formado em engenharia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Acompanhe.

Contexto inicial:
Arnaldo se forma no curso de Engenharia Mecânica no segundo semestre de 1995. Consegue um emprego na área de manutenção de aparelhos industriais de refrigeração, seu sonho. Arnaldo entrou cedo na faculdade e era um aluno mediano. Conseguiu se formar após 5,5 anos de curso, aos 22 anos e estava
muito feliz por ter conseguido emprego justamente na área e na especialidade desejada. Seu avô, um sujeito austero e experiente investidor da bolsa, sugere que Arnaldo siga o princípio mais básico para ter as finanças pessoais saudáveis: guardar entre 10% e 20% de tudo o que ganha. Como
sugestão, indicou ao neto investir em ações ordinárias da Cia Vale do Rio Doce, sólida empresa brasileira que estava com grandes chances de ser privatizada. Arnaldo, sujeito pouco ambicioso, mas obediente resolveu seguir os conselhos de seu avô, é onde nossa história começa.

OBS: Há aproximações necessárias que incorporam algumas facilidades que temos hoje em dia, mas que não existiam à época.
As aproximações têm por objetivo manter a boa didática e facilitar a compreensão do leitor.

1996 - A primeira compra e o primeiro susto, a gente não esquece!
O salário líquido inicial de Arnaldo era de R$ 1.500,00 e ele decidiu, seguindo os conselhos de seu avô, investir um valor em torno de 20% de seus vencimentos de ações ordinárias da VALE (VALE3). A abertura de conta na corretora teve aquela burocracia tradicional, só que sem as vantagens e facilidades de e-mail que temos hoje em dia. Depois de alguns dias, tudo ok.

31/1/1996 – Decepcionante...
Recebe seu salário, R$ 1.500,00 e liga para seu corretor:
- Bianor, estou com R$ 300,00 aqui e quero comprar umas ações ordinárias da VALE.
- Arnaldinho, meu filho, seu avô avisou que você iria ligar. Olhe, uma ação VALE3 custa R$ 245,00. Com trezentos reais... só se for comprar 1 ação. A corretagem será de 2%, ok?
- Ok, pode comprar. Quanto tenho que depositar?
- R$ 249,90.
Arnaldo pensou muito e achou que o avô tinha indicado um investimento fora do seu alcance. Sentiu-se um pouco “pobre” por só conseguir comprar 1 ação da VALE. Pensou: - E se a ação for para R$ 400,00, não vou conseguir comprar nem umazinha? A partir dessa compra, começou a se interessar um pouco mais e sempre aproveitava para dar uma olhada na Gazeta Mercantil, que sua empresa assinava, para ver a cotação da VALE3.
Nove dias depois a ação havia atingido R$ 265,00. Arnaldo pensou: - Vovô é craque. Ele disse que o negócio era de risco, mas quase 10% em 10 dias, não está nada mal!

29/2/1996 – Desconfiança...
Quando liga para o corretor para comprar mais ações acha estranho, pois o valor era R$ 244,99, daí pergunta: - Ô Bianor, isso está estranho. Mês passado era R$ 245,00, agora é R$ 244,99. Isso parece loja de desconto, esse preço está certo?
- Arnaldo, o preço é esse agora, mas daqui a pouco pode mudar. Foi coincidência isso. Posso mandar comprar mais uma?
- Manda brasa, agora tenho 2 ações da VALE.
- Vai ficar rico, garoto!
E deram boas risadas.

11/04/1996 – Um susto pelo qual todos acabam passando...
Após consultar a Gazeta, Arnaldo liga tenso para a corretora, pois o valor da ação indicado pelo jornal era R$ 25,70. Esbaforido, pergunta:
- Caramba Bianor! Eu sabia que era um negócio de risco, que poderia perder muito, mas não pensei que fosse tão rápido! Minhas ações caíram quase 90%. O que houve?
- Rapaz, não seja tão apressado. Não é nada disso. É que as ações eram cotadas em lote de 1.000. Na realidade, aquela 1 (uma) ação que você tinha, correspondia a 1.000 ações. A VALE fez um grupamento de 1.000 para 1. Eu sei que parece maluquice, mas antes você tinha 1.000 ações que valiam R$ 0,2570 cada, mas a cotação era MOSTRADA por lote de mil, por isso é que você via R$ 257,00, entendeu?
- Não, não entendi nada. Se ela fez esse grupamento, minhas ações não deveriam continuar valendo duzentos e poucos reais? Não esqueça que sou engenheiro, número é comigo mesmo!
- Calma, ainda não acabou. Como esse valor é muito alto, a VALE fez uma bonificação de 700%, ou seja, para cada ação que você tinha, ela deu mais 7.
- Bianor, você está de brincadeira. Como é que ela me dá 700% de ganho assim?
- Não é ganho nenhum. É só um ajuste no preço. Se você tinha 10 ações a R$ 80 cada, agora tem 80 ações valendo R$ 10 cada. Não ganha, nem perde. É só para dar mais liquidez à ação. Viu, agora em vez de comprar 1 (uma) ação com seus 300 reais, vai comprar 10!
- É Bianor, não há almoço de graça. Esse negócio de bolsa é meio complicado. Espero que essas coisas aconteçam pouco...
31/05/1996 – Dividendos no início...
Arnaldo estava comprando 11 ações da VALE, que estavam cotadas a R$ 26,20. Mas havia algo estranho na sua conta. Ele depositava exatamente o montante necessário para comprar as ações e pagar os custos de transação, zerando seu saldo na corretora. Eis que aparece em sua conta a quantia de R$ 0,04 (quatro centavos).
- Bianor, está me dando dinheiro rapaz? Que 4 centavos são esses na minha conta? É um café de cortesia?

- Arnaldo, a VALE declarou um dividendo de R$ 0,0016 por ação, você tinha 24 ações na época da declaração, então recebeu R$ 0,04. Não é bom?
- Bianor, o dividendo é isso? Tá brincando, né? É muito pouco, cara. Onde é que meu avô estava com a cabeça? Quatro centavos?!?!?! E meu avô ainda diz que vive de dividendos. Deve ser dono da VALE!
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Resumindo do ano de 1996
- 12 aportes, totalizando R$ 3.373,20. Média mensal de R$ 281,15.
- 128 ações VALE3, R$ 12,43 de dividendos em conta (a VALE declarou dividendos no final de 96), totalizando um patrimônio de R$ 3.468,43. Não foi possível reinvestir esse valor, pois não comprava nem uma ação.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou em 6,38% ao ano, muitíssimo abaixo das taxas de juros da renda fixa brasileira em 1996.
Arnaldo ligou para o avô e contou suas aflições. Disse que se tivesse colocado em renda fixa teria um resultado muitíssimo melhor e sem qualquer transtorno. Disse que achava meio complicado esse negócio de bolsa e que estava pensando em reconsiderar seus métodos. Reclamou dos dividendos e dos custos de transação.
O Avô lhe disse: - Arnaldo, você tem 23 anos. Está começando sua carreira agora. Bolsa é para quem tem paciência e para quem tem vontade de estudar as companhias e o mercado. Dê mais algum tempo para vermos o resultado.
1997 – Um péssimo ano para as ações da VALE
A empresa de Arnaldo estabeleceu como política de remuneração que todos os salários seriam reajustados pelo IPCA, calculado pelo IBGE. Passou a ganhar R$ 1.643,40 líquidos. Seu aporte poderia subir. Ficou feliz.

No começo de 1997 as coisas pareciam promissoras. A VALE3 bateu R$ 33,00 em 04/03/1997. Arnaldo ficou animado. Começou a estudar um pouco sobre a empresa e a confiar no negócio e nas perspectivas com a privatização iminente. Passou a se abalar menos com as quedas até que a VALE3 despencou a R$ 17,50 em 12 de novembro de 1997. Àquela altura ele tinha investido pouco menos de R$ 7.000,00 e tinha em conta R$ 4.400,00. Apesar das boas perspectivas, aquele negócio de investir na bolsa parecia fadado
ao fracasso. Ao menos, estava conseguindo comprar uma bela quantidade de ações com seus trezentos e poucos reais. Quase 17 ações. Em 29/12/1997, ao ligar para o, já amigo, Bianor, ouve a pergunta: - Você tem quase R$ 160,00 em dividendos parados na conta, por que não reinveste? Compre mais ações, elas estão a preço de banana. Pela primeira vez Arnaldo conseguiu utilizar seus dividendos para comprar um pouco de ações, mais precisamente, 6 ações.
Resumindo até o ano de 1997
- 24 aportes, totalizando R$ 7.225,63. Média de R$ 301,07.
- 283 ações VALE3, R$ 157,04 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 5.974,04.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou negativa, -19,41% ao ano.

1998 – Muitíssimo pior que 1997. Ninguém achava possível! Arnaldo começou, mais um ano, confiante em seus investimentos. Afinal, 1997 tinha sido um ano péssimo para as ações da companhia, mas os resultados eram sólidos e crescentes. 1998 não poderia decepcionar...
Começou com um pequeno reajuste em seu salário, conforme política da empresa já definida. Agora receberia R$ 1.730,00. Não era muito ambicioso e gostava demais do seu trabalho técnico, não vislumbrava grandes promoções.

Até maio, o ano de 1998 parecia bom. Tinha investido R$ 8.700,00 e já estava no “zero-a-zero”, pois a cotação chegou a R$ 26,00 e ele tinha, à época, 340 ações. Até julho, um ano fraco. Daí em diante, um desastre para as ações. De 15 de julho até 12 de setembro as ações chegaram a cair 49%. Desanimado Arnaldo liga para Bianor:
- Bianor, teve algum desdobramento ou bonificação da VALE? É que as ações caíram 50% em 2 meses... Bianor responde: - Dessa vez, filho, é queda mesmo. Se formos pensar na cotação de um ano e meio atrás, a queda é de quase 65%. Não está fácil por aqui, garoto. Tem gente furiosa. Mas a empresa está forte. Olhe os resultados. Os dividendos serão ótimos em 1998! Bola
pra frente, com a ação a R$ 14,00 não tem espaço para cair mais! Pois caiu... Fechou o ano a impressionantes R$ 11,20!!!
No natal de 1998, Arnaldo deu para o avô uma camisa do Vasco. O avô era fundador da Charanga Rubro- Negra e do fã-clube do Zico. Vôvo não reclamou...
Resumindo até o ano de 1998
- 36 aportes, totalizando R$ 11.327,09. Média de R$ 314,64.
- 520 ações VALE3, R$ 1.140,85 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 6.964,85.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou negativa, -33,15% ao ano.
- O que impressionou Arnaldo foi, além das quedas vertiginosas, o volume pago de dividendos, que chegou a quase R$ 100,00 por mês de média. Era 1/3 do que ele aportava mensalmente.

1999 – Enfim algum retorno!
O ano começou com uma inacreditável recuperação das ações. Em apenas um dia a bolsa chegou a subir 33% e a VALE subiu quase 100% no período de 1 mês. Tinha chegado a impressionantes R$ 20,50, tendo partido de R$ 11,20 em 29/12/1998. O ano prometia... e entregou. A VALE encerrou 1999 cotada a R$ 42,00, quase 300% de aumento. Após 3 anos catastróficos, Arnaldo, enfim, começa a acreditar que poderia dar certo. Vamos ao resumo.

Resumindo até o ano de 1999
- 48 aportes, totalizando R$ 15.504,02. Média de R$ 323,00.
- 736 ações VALE3, R$ 1.634,89 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 32.546,99.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 38,94% ao ano.
- Arnaldo recebia uma média de R$ 140,00/mês de dividendos, aquilo começou a deixá-lo interessado nos dividendos. Começou a perceber que, se continuasse investindo em empresas sólidas e boas pagadoras de dividendos, um dia poderia ter uma boa renda.
- Apesar do ano espetacular, Arnaldo já conhecia vários “bear markets” e sabia que não deveria sair de sua política. 20% de seu salário todo mês e muito estudo sobre a companhia.

2000 – Um gigantesco zero-a-zero!
Arnaldo começou o ano com um salário de R$ 1.912, 73. Já tinha 4 anos de empresa e nenhum sinal de promoção. Mas gostava muito do que fazia, sentia-se feliz de acordar sabendo que vai trabalhar com dutos, compressores, retentores, parafusos etc.
Arnaldo começou a sentir necessidade de crescer no emprego para aumentar sua renda e comprar um apartamento, um carro melhor etc. Ouviu de seu avô o seguinte: - Neto, você tem 26 anos, seus pais são maravilhosos, não deixam faltar nada e não cobram nada de você. Aproveite esse momento raro da sua
vida e cuide do seu futuro. Logo virão outras obrigações e você não terá mais a facilidade e a disponibilidade para investir tanto quanto faz hoje.

2000 não foi lá grandes coisas. Foi um ano calmo para o país, mas tão calmo que a emoção na bolsa foi quase zero. Arnaldo seguiu seu ritmo e continuou seus aportes. Agora, que tinha R$ 30.000 de patrimônio, aqueles R$ 400,00 por mês quase não faziam diferença, comprava muito poucas ações diante das quase 1.000 que tinha. obrigações do mês. E ainda conseguia juntar um pouquinho na renda fixa para trocar de carro ou dar entrada em um apartamento.

Estava bem equilibrado, pois não tinha compromissos relevantes e ainda era muito jovem.
Resumindo até o ano de 2000
- 60 aportes, totalizando R$ 19.941,19. Média de R$ 332,35.
- 871 ações VALE3, R$ 2.908,84 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 43.410,34.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 29,78% ao ano.
- Arnaldo recebia uma média de R$ 240,00/mês de dividendos, o equivalente a 12% do seu salário.

2001 – Também um ano de poucas emoções para a VALE, mas de muito fluxo de caixa. Pela primeira vez, após 5 anos no emprego e aos 27 anos, Arnaldo ganhava mais de R$ 2.000,00 líquidos ao mês. Começou a fazer alguns projetos por conta própria, nas horas vagas da companhia, o que lhe rendia uma graninha extra de vez em quando. Essa grana Arnaldo guardava para seu projeto de trocar de carro. Sua Brasília 1981 já estava um pouco ultrapassada. Ou ainda, dar entrada em um apartamento. Sem pressa, pois sua namorada à época tinha 23 anos e estava no meio da faculdade de medicina. Vê-la, só aos finais de semana e NÃO PRECEDIDOS por provas. Era enrolada, mas era linda e pacata.
Compreendia que Arnaldo, com toda aquela grana guardada, dissesse sempre: - Amor, estou sem grana.
Vamos deixar o japonês para o dia 05?
O que mais impressionou Arnaldo em 2001 foi o volume de Juros sobre Capital Próprio (JSCP) distribuídos pela VALE. R$ 4,61 por ação. Como ele chegou ao final do ano com mais de 1.000 ações da VALE, recebeu uma bela grana, que o fez pensar em NÃO REINVESTIR. R$ 4.600 era muito dinheiro, dava para
inteirar até um carrinho melhor. Desistiu, pois o comportamento já estava arraigado nele, já fazia parte de sua rotina. O dinheirinho mensal para investir tinha a mesma precedência do que a ajuda que dava em casa ou do que o cursinho que pagava à noite. E até mais do que os cineminhas com a patroinha, o que gerava algumas boas brigas. Alice ganhava todas as brigas, Arnaldo se apertava em outras contas, mas não deixava seus aportes de lado. Nem os cinemas.

Resumindo até o ano de 2001
- 72 aportes, totalizando R$ 24.561,67. Média de R$ 341,13.
- 1.017 ações VALE3, R$ 4.606,53 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 57.490,53.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 24,82% ao ano. Essa rentabilidade anual fez Arnaldo refletir, pois o investimento em renda fixa trazia algo próximo a isso, às vezes mais. Os detratores do investimento em bolsa de valores, à época, valiam-se justamente dessa visão de que é
bobagem investir em bolsa com juros tão altos. Os defensores diziam que, se escolhesse boas ações poderia ter ganhos superiores ao do Ibovespa e ao da renda fixa. O que o fez manter-se na bolsa foi o interesse crescente por economia e finanças, além do grande conhecimento que obteve ao estudar os
dados da VALE nos últimos 5 anos. Além disso, pensava que nenhum país do mundo conseguiu se desenvolver sem que as empresas pudessem se capitalizar através do mercado de capitais. E continuou. Inseguro quanto à possibilidade de ganhar mais do que na renda fixa, mas seguro de estar fazendo a coisa certa.

- Arnaldo recebia uma média de R$ 383,00/mês de dividendos, o equivalente a 18% do seu salário.

2002 – Um ano de grandes sustos na bolsa e na economia, mas com desempenho excelente da VALE.
O ano de 2002 trouxe grandes desafios às empresas brasileiras exportadoras. Arnaldo viu o lucro da VALE despencar pela primeira vez desde que começou a investir na empresa. Ao contrário das outras pessoas, ele não se importava tanto com as oscilações do papel, mas sim com os caminhos da companhia. Arnaldo entendeu que o impacto das mudanças econômicas, cambiais principalmente, no balanço, não deveriam se repetir nos anos seguintes, visão que o deixou menos apreensivo com a forte queda nos lucros.

O ano de 2002 trouxe uma inovação na empresa em que Arnaldo trabalhava. Mesmo se mantendo (feliz) na posição em que entrou, Arnaldo começou a receber um extra, na forma de bônus anual. Era um excepcional funcionário e seus chefes não queriam movê-lo para uma função de chefia. Poderia ser
desastroso. Arnaldo agradeceu, pois não queria mesmo ficar mandando em seus colegas ou nos novatos. No primeiro ano, ao final de 2002, seu bônus foi equivalente a 6 salários. Pouco mais de R$ 12.000,00. Ficou muito tentado a colocar toda essa grana na bolsa, pois 2002 havia sido um ano esplêndido para a VALE. Manteve-se quieto, colocou essa grana junto daquele dinheiro que estava juntando para dar entrada no apartamento, pois o carro já trocara por um Monza 1996. Com ar-condicionado e direção hidráulica. Faltava apenas 1 ano para Alice completar sua faculdade de medicina. O namoro estava firme e até a menina começou ao colocar uma graninha em ações, dado o exemplo bem sucedido, até então, do namorado. Isso deixou o namoro um pouco mais interessante, pois Alice não se cansava de perguntar:
-Arnaldo, por que você não vende na alta e compra na baixa? Vai ganhar muito mais! Arnaldo respondia: - Não faço porque não sei fazer, só sei reparar ar-condicionado. Nisso eu sou bom, estou ganhando até um extra da empresa!

Resumindo até o ano de 2002
- 84 aportes, totalizando R$ 29.466,59. Média de R$ 350,79.
- 1.168 ações VALE3, R$ 3.151,22 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 123.338,42.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 38,11% ao ano.
- Os dividendos decepcionaram um pouco, mas Arnaldo entendia que não é possível manter o mesmo nível de dividendos com a enorme queda nos lucros, mesmo que por eventos não recorrentes.
- O ano de 2002 trouxe uma grande alegria para Arnaldo, em outubro de 2002, pela primeira vez, ele atingiu R$ 100.000 de patrimônio em ações. Chegou mesmo a pensar em retirar uma parte e juntar com os outros R$ 30.000,00 que tinha juntado na renda fixa.

Mas manteve-se firme às instruções de seu avô,
pouco e sempre, até chegar a hora de colher. Arnaldo também tinha um desafio pessoal, que era elevar os dividendos ao mesmo patamar de seu salário. Sabia que demoraria bastante, mas não esmoreceria.

2003 – Grande retomada da bolsa. Desempenho operacional excelente da VALE, das ações um pouco menos, mas também muito bons.
Ao final de 2003, Arnaldo já estava sentindo falta daquelas bonificações do começo de seu caminho como investidor de longo prazo. A VALE3 fechou o ano cotada a R$ 169,50. O aporte mensal só dava para comprar 2 míseras ações. Cedo ou tarde, pensava ele, a VALE vai ter que bonificar: - Está muito caro comprar um lote de 100. Se continuar subindo o aporte não vai dar nem para 1 ação! Pela primeira vez entendeu o motivo das bonificações e desdobramentos.
O lucro da VALE mais do que dobrou em 2003. Os resultados, Arnaldo sentiu na cotação da ação e nos dividendos, que voltaram a crescer e retomaram o caminho que ele havia planejado, ficarem equivalentes ao salário anual de Arnaldo.

Nesse ano a VALE pagou dividendos 3 vezes. Na verdade são JSCP, mas tratamos como dividendos para facilitar a interpretação e os valores recebidos já estão com desconto do IR. Em abril pagou R$ 1,62/ação, em agosto pagou R$ 1,94/ação e em outubro pagou R$ 1,48/ação.

Resumindo até o ano de 2003
- 96 aportes, totalizando R$ 34.527,87. Média de R$ 359,67.
- 1.247 ações VALE3, R$ 6.320,72 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 217.687,22.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 43,46% ao ano.
- Os dividendos representaram R$ 530/mês, quase 25% de seu salário.

2004 – Mais um ano excepcional para a VALE e para a Bolsa.
No início de 2004, Arnaldo continuava em sua função na empresa. O ano foi ótimo para eles todos também, que conseguiram dar a Arnaldo um bônus de 12 salários, quase R$ 30.000,00. A esse tempo, Arnaldo já tinha o suficiente em renda fixa para comprar um apartamento (bem) modesto na Zona Sul ou algo mais confortável na zona oeste ou zona norte. Completando 30 anos e com Alice formada e fazendo residência no Miguel Couto, não tardaram a começar aquelas conversas sobre compromisso mais sério. A situação estava relativamente confortável para os dois. O país parecia bem e Alice, aos 26 anos, estava progredindo na residência e fazendo excelentes contatos.
A VALE atendeu aos anseios de Arnaldo. Após atingir R$ 170,00 fez um desdobramento de 1 para 1 em 18/08/2004, fazendo com que as ações caíssem à metade no valor e com que dobrasse a quantidade de ações.

Resumindo até o ano de 2004
- 108 aportes, totalizando R$ 40.586,36. Média de R$ 375,80.
- 3.967 ações VALE3 (por conta do desdobramento), R$ 7.728,16 de dividendos reinvestidos em ações,
totalizando um patrimônio de R$ 307.236,65.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 41,80% ao ano.
- Os dividendos representaram R$ 644/mês, quase 26% de seu salário.
- Na visão de Arnaldo, os resultados atingidos estão muitíssimo acima de suas expectativas. Ligou para agradecer ao avô que lhe disse: - Hoje não posso falar muito, pois estou com sua avó em Cancun.
Ficaremos até a próxima semana, mas quero lhe dar os parabéns meu neto. Você viu seu patrimônio secar por 3 anos, mas seguiu a cartilha corretamente e hoje, além de conhecer a empresa que investe muitíssimo bem, ainda segue rigorosamente a regra do bem estar financeiro. Juntar sempre, no tempo de
semear. Agora, ao colher, faça-o sem histeria, sem extravagâncias e sem deslumbramento. Dinheiro não leva desaforo.

2005 – O ano em que Arnaldo se questiona sobre aqueles rendimentos altíssimos.
Arnaldo já quase não se lembrava dos péssimos 3 anos iniciais de sua trajetória. Já não falava com Bianor havia um tempo, pois usava o Home Broker para fazer suas compras mensais. Resolveu ligar para falar com o amigo. Ao atendê-lo ao telefone, Bianor exclama: -Tá com dinheiro, hein garoto! Não disse? Arnaldo revelou a Bianor que ficava um pouco preocupado com essa rentabilidade enorme. Se continuasse assim, seria milionário em 5 anos. Bianor alertou: - Seu avô te ensinou a ter disciplina e a ser estudioso. Ele também opera na corretora e conversamos sobre você com freqüência. Mas devo acrescentar algo. Você precisa ter uma meta precisa com seus investimentos. Defina o percentual que deseja entre renda fixa e variável, por exemplo 50% em fixa, 50% em variável, e mantenha esse patamar durante as grandes viradas da bolsa. Você ainda é jovem, pode se arriscar mais um pouco. Mas defina o que quer ter. Não acredite que a bolsa vá subir para sempre.

Arnaldo estava entusiasmado com duas idéias, uma era fazer os dividendos atingirem o patamar de seu salário anual, outra era atingir um patrimônio de R$ 1.000.000 em ações. Não se preocupou muito com o que disse Bianor, pois tinha uma boa reserva em renda fixa. Mas resolveu se testar e impôs: Se chegasse a R$ 1.000.000 em renda variável, retiraria 50% e colocaria na renda fixa. Alice estava empolgadíssima com o Home Broker. Já tinha R$ 20.000 em ações, que usava para fazer trades constantes. Comprava e vendia bastante. Ligava para Arnaldo e dizia: - Ganhei 20% em 15 dias.
Arnaldo, levanta dessa cadeira, homem! Arnaldo, como sempre, desconversava e dizia que não nasceu para grandes emoções.
Ao final do ano de 2005, ele com 31 e ela com 27, ficaram noivos e deixaram a data do casório em aberto. Aline havia terminado a residência, mas ainda não havia conseguido algo estável. Arnaldo estava cada vez melhor e mais feliz na empresa onde trabalhava.

Mesmo sem promoções, ganhando R$ 2.880,97 e sendo o melhor funcionário da empresa. A empresa compensava com bônus interessantes.

Resumindo até o ano de 2005
- 120 aportes, totalizando R$ 47.306,15. Média de R$ 394,22.
- 4.143 ações VALE3, R$ 11.098,60 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 406.755,10.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 39,19% ao ano.
- Os dividendos representaram R$ 924/mês, quase 33% de seu salário.
- Arnaldo comemorou com o avô os 10 anos de investimento. Comprou um JW Red Label para o velho. O Avô, claro, reclamou: - Arnaldinho, eu merecia, no mínimo, um Black!

2006 – Mais um ano excelente. Mais um desdobramento.
A data foi marcada para 12/03/2007, na igreja da Urca. Arnaldo comprou um apartamento no final de 2005 e já estavam morando juntos, ao menos nos finais de semana, para, digamos, um test drive da vida de casado. Alice mostrou as operações que havia feito no Home Broker para Arnaldo. Sempre com algum ganho, mas com custos um pouco elevados. Alice conseguiu transformar os R$ 20.000 em R$ 26.000, o que não era mal. 30% no ano. Arnaldo nunca havia entrado em detalhes sobre seus investimentos. Mas
com o casamento marcado, os finais de semana sob o mesmo teto e com a insistência da moça em fazê-lo “treidar” (comprar e vender no curto prazo), ele resolveu mostrar sua conta na corretora para ela. Isso foi, precisamente, no dia 31/01/2006. Ela viu e gritou: - Quatrocentos e oitenta mil reais!!!!! Arnaldo, você é rico!!!! Quanto você colocou para chegar a esse valor? Calmamente ele respondeu: - Todos os meses eu coloco 20% do meu salário líquido na bolsa. Dá uns 300 e poucos por mês. Alice reagiu exatamente assim:

- Arnaldo, não treida. Não treida!

Resumindo até o ano de 2006

- 132 aportes, totalizando R$ 54.337,15. Média de R$ 411,65.
- 8.622 ações VALE3, R$ 9.869,33 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 559.090,73.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 38,15% ao ano.
- Os dividendos representaram R$ 822/mês, quase 28% de seu salário.

2007 – O ano que parecia bom demais para ser verdade.
Não só pela bolsa, mas pelo casamento, pelo bom momento que os dois estavam vivendo e tudo o mais. Arnaldo ficou interessado em fazer outra faculdade, agora de economia, pois havia se interessado demais pelo estudo das variáveis econômicas, da gestão das empresas etc. Pediu, tão logo chegou de lua-de-mel, uma renegociação no seu horário na empresa, caso contrário pediria para ser demitido. Afinal, Arnaldo além de investir em VALE na pessoa física, também colocou tudo o que pode de seu FGTS nos fundos de VALE e Petrobras. Havia uma boa grana lá também.

Seu patrão concordou em flexibilizar-lhe a carga horária, dar-lhe a sexta-feira livre a partir de 12:00 e manter o pagamento integral, porém reduziu bruscamente a política de bônus. Esse rearranjo permitiu que Arnaldo se matriculasse na UERJ para estudar Economia, já para o segundo semestre de 2007. 2007 foi um ano tão excepcional para a bolsa e para a VALE que nem parecia ser verdade. O valor que Arnaldo tinha em ações começou a assustá-lo. Em setembro de 2007 chegou a R$ 1.100.000,00. Cogitou a hipótese de cumprir a promessa que fez a si mesmo e vender 50% para colocar em renda fixa. Mas sua vontade de ver se é possível se aposentar com dividendos foi mais forte do que o conselho do amigo Bianor. Pensava também que seu ganho na bolsa foi tão expressivo que uma queda de 20%, 30% não lhe
traria grandes emoções.

Resumindo até o ano de 2007
- 144 aportes, totalizando R$ 62.187,34. Média de R$ 431,86.
- 17.671 ações VALE3, R$ 13.098,56 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 1.061.165,57. Houve mais um desdobramento de 1 para 1, assim como em 2006.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 43,17% ao ano.
- Os dividendos representaram R$ 1.091/mês, quase 35% de seu salário de R$ 3.152,58.

2008 – O ano da grande virada. Para baixo.
O ano começou péssimo. O patrimônio chegou a cair R$ 250.000 e as pressões em casa para retirar a grana começaram a ficar mais fortes. Havia uma grande incerteza sobre alguns aspectos da economia.
Arnaldo entendia um pouco melhor os termos, pois estava no segundo período de economia e já tinha estudado bastante.
Arnaldo pensou bastante sobre sua vida:
- Um assalariado, com nenhum crescimento no emprego nos últimos 13 anos, apenas reposições da inflação, conseguiu se tornar um milionário.
- Seus esforços resumiram-se a acompanhar de perto os resultados da companhia e a aportar regularmente 20% de seu salário. Não aportou outras rendas.
- Sua estrutura de vida continuava modesta. Alice ganhava o suficiente para ter uma vida de muito bom nível, não passava qualquer privação e ainda conseguia ajudar em casa. Arnaldo continuava com o mesmo sistema de vida, exceto pelo Monza 1996 que já era um Palio Weekend 2006. A resposta para o
japonês era a mesmo: - Tô duro, vamos deixar para o dia 05. Só que a réplica de Alice, agora, era: - Deixe que eu pago. Seu apartamento era modesto, mas bem localizado e próprio. Não tinham filhos e seus planos para os próximos 5 anos era de manter essa situação como está. Arnaldo lembrou dos 3 primeiros anos de seu investimento. Lembrou que chegou a perder quase 50% do
patrimônio e, também, que suas ações chegaram a cair mais de 65%. À época, com investimentos de R$ 12.000, não era tão assustador, mas agora... Pensou também que, se tivesse saído naquela época, talvez não tivesse nem 1/3 do que tinha.

Não tirou nada naquele janeiro fatídico de 2008. Manteve a grana aplicada em ações da VALE3.
Pois que a bolsa, após uma mínima em meados de janeiro, aonde o patrimônio chegou a cair a R$ 800.000, uma perda próxima a R$ 300.000, retomou seu movimento de alta e devolveu o milhão a ele já em fevereiro. Em abril e maio manteve seu patrimônio em torno de R$ 1.200.000. Fim da história.

Nossa crônica termina aqui. Mas o artigo não.
Todos sabemos o que aconteceu depois de maio de 2008. Não sabemos é o que acontecerá em 2009. É possível que repita os anos de 1997 e 1998 que, como vimos, foram tão ruins ou até piores para a VALE do que foi 2008.

A história tenta ser leve para mostrar as coisas pelas quais passa um investidor de longo prazo. Daqueles que começam ganhando quatro centavos de dividendos e dão uma larga risada, pensando: - Poxa, que merreca!
Daqueles que encaram 3 anos péssimos e dois anos de estagnação, logo de cara. Infelizmente são poucos no país. Temos poucos exemplos. Quem conhece alguém que encarou 3 anos de bear market e 2 de estagnação? Essa pergunta, numa sala brasileira com 100 pessoas, daria, sem dúvida, ZERO de respostas positivas. Já nos EUA ou na

É evidente que o maior pecado do Arnaldo, dada sua característica conservadora, foi não diversificar com outras ações. Mas ficaria uma crônica com 400 páginas se colocássemos o Arnaldo com 15 ações na carteira. O motivo de pegar a VALE é puramente didático. É uma empresa que todos conhecem, mas poucos lembram como foi complicado investir nela no final dos anos 1990. Além disso, tem comportamento regular de pagamento de dividendos e de eventos societários, tais como bonificações e desdobramentos.
O Bradesco também foi estudado, mas as dificuldades envolvidas na pesquisa são maiores, pois além de ter feito inúmeras subscrições no período, paga dividendos mensais. Para os curiosos, nessa mesma
época, maio de 2008, o Bradesco teria dado ao Arnaldo R$ 600.000, metade do que a VALE estava dando. Mas, ainda assim, uma rentabilidade superior a 33% ao ano. Arnaldo teria sido bem sucedido se tivesse direcionado esses investimentos a um elevado número de empresas brasileiras. Não teriam faltado opções para diversificar. Em algumas, como a Gerdau, por exemplo, o resultado seria tão absurdamente alto que não atingiria os propósitos didáticos desse texto. Ficaria parecendo mais um milagre do que uma política de investimentos. Várias empresas, umas mais e outras menos, apresentariam grandes resultados para nosso hipotético investidor. Petrobras, Itaú, Usiminas, CSN, Randon, Fosfértil, WEG, Marcopolo e até empresas que tiverem perdas recentes com derivativos, como a Sadia, teriam dado grandes resultados ao Arnaldo.

Calma, não deixarei o leitor se perguntando: - E aí, o que Arnaldo fez?
Apesar de vocês todos terem torcido para que ele tivesse vendido tudo em maio, mais precisamente em 16/05/2008, e comprado tudo em dólar, ele não fez nada disso. Manteve suas ações. Veremos que a perda é grande, muito grande.

Resumindo até 06/01/2009
- 156 aportes, totalizando R$ 69.966,85. Média de R$ 448,51.
- 18.808 ações VALE3, R$ 19.702,54 de dividendos reinvestidos em ações, totalizando um patrimônio de R$ 621.604,40. Quase R$ 600.000 a menos do que o topo.
- A rentabilidade média de seu investimento ficou POSITIVA em 32,53% ao ano. Muitíssimo melhor do que as opções de renda fixa.
- Os dividendos representaram R$ 1.641/mês, quase 52% de seu salário de R$ 3.284,67.
Agora você, leitor, que está lendo essa crônica em janeiro de 2009. Tendo em mente que ninguém conhece o futuro, como conhece o passado. Responda: O que o Arnaldo deve fazer? Se ele colocar em renda fixa, deverá levar de 5 a 6 anos para retornar a 1 (um) milhão de reais. Se deixar na bolsa, pode recuperar em 1 ano, o que parece improvável, em 2 anos, que também parece, mas em 3 ou em 4 anos, o que não parece nada impossível. Quem sabe?
E agora, leitor? O que Arnaldo deve fazer?