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#715686 Como ter sempre algo melhor para falar do que o clima?


O texto abaixo foi traduzido a partir deste artigo em inglês, de David Cain. Acho que ele diz algumas coisas que são simples, mas que nunca havia pensado a fundo. Espero que seja útil para vocês também.



Como ter sempre algo melhor para falar do que o clima?


Há seis anos atrás, quando morava em uma vila numa região de montanhas nevadas e pagava minhas contas trabalhando na limpeza de pias e banheiros de luxo, alguém me disse algo que me fez confrontar uma verdade desconfortável sobre mim mesmo.

Um colega de trabalho bem intencionado menciou que havia conversado sobre mim com outra criada. Oh?

"Ela disse, 'É ótimo trabalhar com o David, mas ele é tão quieto.'"

Eu não lembro como eu respondi, mas acho que eu discordei de alguma forma, e voltei a meu trabalho esperando que nunca mais alguém iria me diria isso novamente.

Quieto. Como se eu não tivesse nada a dizer.

Eu me lembro do resto do dia. Enquanto eu esfregava boxes de suítes de luxo, tinha uma resposta imaginária na minha cabeça:

"Talvez eu não queira conversar sobre nada do que vocês querem conversar. Eu tenho muito a dizer, eu apenas não quero falar sobre programas de TV ou o quanto eu odeio meu emprego, como todo mundo faz. Talvez tudo o que vocês fazem é reclamar, e eu não queira participar. Eu sou muitas coisas, mas não sou quieto."

Minha pequena reclamação mostrava sinais de um padrão humano comum, mas eu não conseguia enxergar na hora:

Quando as pessoas se sentem inadequadas de alguma fora, elas tendem a criar qualquer preconceito ou crenças que elas precisam para se sentirem bem sobre isso.

Claro, ninguém percebe isso quando está fazendo. Formar crenças como mecanismo de defesa é um comportamento comum, e é provavelmente a fonte da maioria das crenças erradas e destrutivas que a maioria das pessoas carrega. Eu sabia que meus colegas não eram reclamões e ingratos. Eles também falava de coisas polas quais eu me interessava, mas eles faziam isso de um jeito mais livre e confortável que eu, e eu odiava isso.

Outro típico exemplo de crença de auto defesa: uma pessoa se sente que não tem um salário tão bom quanto gostaria, então ela cria a crença de que pessoas que ganham bons salários são gananciosas e materialistas, para se defender de seu sentimento de inadequação pelo fato de não ganhar tão bem.

Eu dizia a mim mesmo que todo mundo falava demais, para me poupar do sentimento podre de reconhecer que eu era muito ruim em algo que eu sabia ser importante. Eu era muito tímido e eu sabia disso, mas como muitos problemas de comportamento que eu tinha, meu tentei escondê-lo através de racionalização. Eu dizia a mim mesmo que eu tinha toda a razão de falar exatamente tanto ou tão pouco quanto eu quisesse. Essa crença me fazia sentir um pouco menos desconfortável, mas também me impedia de resolver o problema.

O buraco negro da ansiedade social

Suspeito que a maioria das pessoas tímidas não são programadas dessa forma. Elas não tem em falta nenhum talento inato de socializar, elas apenas tiveram um ou dois incidentes sociais no começo da vida, e em um esforço de evitar mais sofrimento social elas começam a errar para o lado do silêncio. Pois da última vez em que elas disseram algo e se arrependeram, a próxima vez que elas ficaram caladas, elas não se arrependeram.

O que elas não sabem, é que esta pequena lição que parece tão inocente é na verdade a semente para um hábito devastador. Toda pessoa tímida sabe que a coisa mais segura a se fazer é não dizer nada. Uma vez que alguém escolhe esta abordagem segura algumas vezes em seguida, uma traiçoeira bola de neve começa a ganhar velocidade.

A abordagem padrão para conversas começa a ser o minimalismo. Diga o que for necessário, mas não ofereça nada a mais. Qualquer coisa que você disser é sua responsabilidade. Toda frase te torna alvo de um exame minucioso. Cada pergunta que você faz revela sua ignorância. Toda paixão que você confessa dá abertura para que você seja ridicularizado. É melhor não dizer nada.

O silêncio rapidamente se torna a estratégia mais inteligente. E no curto prazo, ela é. Humilhação acontece com uma frequência muito menor.

Mas as consequências a longo prazo são brutais.

Você sempre olha para outra pessoa além de você para resolver as questões feitas ao seu grupo. Você começa a andar mais devagar para que outro membro do seu grupo vá falar com o garçom primeiro. Alguém pode facilmente cair no hábito de evitar responsabilidade social dessa forma, e essa dinâmica começa a influenciar outros aspectos da vida, como trabalho e família. Você nunca se sente como um líder, e isto porque você sempre evitou liderar. Liderar é ser responsável. E timidez, em sua essência, é evitar responsabilidade pelas coisas que você diz.

Timidez é tão devastante para uma personalidade porque seus efeitos se combinam muito rapidamente, criando uma personalidade externa que não reflete a pessoa, e um conjunto de habilidades sociais fracas que tornam a recuperação difícil.

Primeiro você evita conversação, porque isso apresenta risco. Esta relutância se torna habitual. Então, porque dizer nada é a abordagem padrão, a ideia de falar se torna mais assustadora, o que faz com que você evite ainda mais fazê-lo. Os pensamentos de humilhação se tornam um monstro que te ronda e persegue, que pode apenas ser evitado mantendo sua boca bem fechada. Quanto mais você evita a desaprovação dos outros, mais assustador isso se torna.

Ser tímido apenas mata sua auto estima. As pessoas começam a te tratar como se você não tivesse nada a dizer. E não é porque elas estão tentando te deixar de lado. É que quando você normalmente não contribuiu ou contribui muito pouco para uma conversa, eles não conseguem fazer nada além de assumir que você não tem nada a dizer. E se todos parecem te tratar dessa forma, você começa a acreditar. Você começa a executar o papel que as outras pessoas esperam de você, mesmo que não seja quem você é ou quem você quer ser.

Alguma dessas coisas soa familiar:

* Pessoas que você já conhece se apresentam a você várias vezes. Elas não se lembram de ter te conhecido, porque você não disse nada.
* Pessoas sabem que te conhecem, mas esquecem sempre seu nome.
* Quando alguém fala com seu grupo, sempre olha para outra pessoa quando espera uma resposta, nunca para você.
* Você frequentemente espera que alguém do seu grupo vai dizer algo, para matar o silêncio.
* Você fica nervoso, ou mesmo rancoroso, quando seu amigo vai ao banheiro e te deixa sozinho com alguém que você não conhece direito.

O que torna tudo pior é que a constante falta de prática te impede de melhorar sua conversação. Então quando você que falar algo, é porque está numa situação em que isso é crucial, como por exemplo uma entrevista de emprego. Seus músculos de conversação pouco desenvolvidos fazem com que você tenha muito menos chances de ter sucesso nessas situações de alta pressão, o que apenas cria mais resultados ruins e alimenta muito mais esse medo.

Este ciclo é um grande e escorregadio buraco negro, e uma vez que a pessoa escorrega demais para dentro dele, ela pode nunca mais sair. Muitos chegam ao ponto de desistir de algum dia se sentirem confortáveis socialmente.

Medo de falar em público ainda é o medo mais citado que medo da morte pela maioria das pessoas. E não é de se estranhar.

Se recuperando da timidez

Gastei muito tempo em fóruns da internet discutindo "como se recuperar da timidez" com outras pessoas, e é reconfortante saber que xistem tantas outras pessoas na mesma situação.

Existem basicamente dois conselhos básicos que recebi e agora ofereço. O primeiro é preste atenção nas pessoas que sabem fazer isso. Sempre existem oportunidades de assistir como as pessoas interagem. Como elas iniciam conversas? Como elas terminam? Como elas mudam de assunto? Até mesmo ver conversas ruins pode te dar uma ideia de o que você poderia ter feito naquela situação. Só de prestar atenção nos outros você consegue montar uma lista de formas de começar e terminar uma conversa. Crie o hábito de assistir conversas.

O outro conselho é, claro, praticar conversar com outros. E prática sempre significa se permitir fazer as coisas de uma forma ruim até que você consiga fazê-la de uma forma não tão ruim. Significa fazer coisas com que você não está confortável no começo. Então, quando se trata de superar a timidez, isso significa falar mais do que o que você tem vontade de falar. Se você estabeleceu um hábito de deixar os outros falarem mais, não vai se sentir natural ao se abrir. Isso é bom, faça-o mesmo assim. Desconforto indica crescimento. Semrpe diga um pouco mais do que você está acostumado.

Todos eventualmente reconhecem que músculos sociais atrofiam se nunca são exercitados, então não existe salvação para desconforto social que não envolva fazer um esforço para conversar.

Esse foi um dos pontos em que tinha mais dificuldade: eu odiava a ideia de conversar. Eu achava falso tentar forçar algo a acontecer dessa forma. Se houvesse algo significativo a ser dito, seria dito, certo? Infelizmente isso simplesmente não é verdade; é outra falsa crença criada para auto defesa. Eu vejo agora que conversar é uma das habilidades mais importantes na vida.

Resumindo, quando se trata de superar algum medo:

Sempre que você se rende ao medo, ele cresce. Sempre que você age mesmo sentindo o medo, ele diminui.

Por sorte, ele tende a diminuir rapidamente uma vez que você começa a se abrir. Você vai descobrir que as pessoas vão achar mais fácil se abrir com você. Pessoas desconfortáveis tendem a deixar as outras pessoas desconfortáveis, e pessoas abertas tendem a fazer outras pessoas se abrirem.

Entretanto, quando se trata de superar a timidez, existe um obstáculo que quase todos encontram, mesmo quando a ansiedade de falar começa a se dissipar.

O problema que a maioria das pessoas parece ter é que elas não sabem o que dizer. Elas podem não ter medo de falar, mas não conseguem pensar em como começar. As pessoas que sempre foram extrovertidas provavelmente possuem um arsenal inteiro de formas prontas de iniciar conversas - um resultado inevitável da experiência. Mas para o resto de nós, é frequentemente uma luta encontrar algo para dizer que não seja banal ou egoísta.

Os três patetas da conversação: clima, trabalho e eventos atuais

Puxar conversa é desconfortável para muitas pessoas, porque essas conversas tendem a ser sobre o clima. Ouvi dizer que amanhã vai ser bom. Sim, mas eu acho que eles mudaram a previsão. Vai estar nublado. Oh, que droga. É, verdade.

Horrível. Porque nós criamos este monstro de banalidade? Com certeza o silêncio seria melhor.

A razão do clima ser um tópico tão frequente de conversação é porque é algo que é relevante para a outra pessoa. Nesse sentido, é um assunto 'seguro'. Mas não seriamelhor se pudessemos pensar em algo (qualquer coisa!) que poderia ser um pouco mais... cativante?

Mesmo com bons amigos. Frequentemente procuro por algo sobre o que conversar e acabo oferecendo algo como: "Então, como está o trabalho?" "Cara, está ventando muito hoje." "Então, o que você fez ontem?"

Às vezes isso consegue fazer as palavras fluirem, mas frequentemente a conversa acaba caindo para assuntos dos quais nenhuma das pessoas realmente quer falar. A maioria das pessoas que eu conheço não se sentem especialmente animadas em passar seu tempo falando de seu trabalho, ou falando hoje sobre o que fizeram ontem. Nós nos obrigamos a levar essas conversas porque elas parecem ser melhores que o silêncio. Concordo que é um pouco melhor, mas com certeza é melhor quando nos oferecem algo específico para nós como assunto.

Quando você tráz para a conversa algo com que a outra pessoa se importa genuinamente, o entusiasmo começa a fluir. Um senso de colaboração emerge, e conexões se formam.

Melhores amigos geralmente conseguem mais facilmente fazer uma conversa significativa fluir, porque eles seconhecem muito bem. Ambos sabem sobre o que o outro que falar. Com conhecidos, ou amigosd e amigos, é mais difícil saber quals assunto é o melhor, por isso acabamos usando um dos velhos padrões: clima, notícias e trabalho.

A solução é na verdade criar o hábito de descobrir o que a outra pessoa valoriza. Você pode se conectar com qualquer pessoa, se você souber o que é importante para ela, e se você der a ela uma oportunidade de falar sobre isso. Apenas pergunte sobre seu barco/filho/viagem pro México/motocicleta nova/clube de squash/gato/casa sustentável/geléia feita em casa.

As pessoas vão se sentir muito gratas por terem uma chance de falar de seus assuntos preferidos. Elas vão se lembrar da conversa, e elas certamente se lembrarão de você. E isso é porque você as deu um grande presente: você as deu a chance de serem elas mesmas com você. Você as resgatou da lenta agonia de uma conversa sobre trabalho ou clima, e você deixou que elas se sentissem bem por serem quem são. Não sobrestime a profundidade do efeito que isto pode ter em uma pessoa. Você pode ser a melhor parte de uma festa para muita gente.

Não importa se você não está interessado no assunto. Apenas se torne interessado no interesse que a outra pessoa tem pelo assunto. Todos sabemos como é estar em nosso elemento, quando se trata de assunto. Ajude-os a chegar lá. Uma vez que o entusiasmo começa a fluir, normalmente existe tanta abertura e entendimento que se torna fácil trabalhar com qualquer assunto que se queira. Então você pode falar sobre o que te interessa, se você quiser.

Quando você está numa conversa com alguém, (ou melhor ainda, quando você está apenas ouvindo uma conversa) veja se você consegue descobrir sobre o que realmente eles realmente querem falar. Todo mundo tem um assunto preferido que os anima. O que faz com que seus olhos se iluminem? Uma dica rápida: pais adoram falar de seus filhos. E eles ficam muito impressionados quando você se lembra de qual esporte eles praticam ou qual universidade eles frequentam.

Não é uma idéia tão ruim apenas se sentar e fazer uma lista de amigos e conhecidos, e para cada um, algumas coisas sobre que você sabe que eles gostam de conversar. Então você conseguiu: uma lista de temas para iniciar conversas em que você pode se meter. Se você não conseguir pensar em nada, lembre-se de tentar descobrir na próxima vez que falar com eles.

Agora, eu não estou sugerindo que você crie pastas e gráficos de pizza sobre o que as pessoas de sua vida estão interessadas, mas certamente existe algo a ser dito sobre estar atento ao que é importante para os outros. Quando estamos indo para algum tipo de encontro, e você sabe que certas pessoas vão estar lá, você pode pensar em um ou dois assuntos em que as pessoas podem se interessar? De novo, não é para se tornar muito stalker, mas o Facebook pode ser um grande recurso para isto se elas te adicionaram como 'amigo'.

De qualquer forma, em geral evite perguntar sobre o trabalho da outra pessoa. É simplesmente fácil demais, e quase sempre garante uma conversa sem graça. Eles vão se lembrar do encontro com você como chato e típico, e esse é o tipo de emoção com que vão te associar.

Se você se sentar e fizer um brainstorm de tudo com que as pessoas em sua vida se importam, você vai perceber que existem pessoas que você realmente não conhece. Você pode saber como elas ganham a vida, mas você não sabe o que as faz sorrir, você realmente não as conhece. Então descubra.

Estou longe de ser um conversador brilhante, mas não sinto mais medo. Levou um certo esforço para me sentir confortável, e ainda sinto que não estou tão bem quanto gostaria em termos de começar e dirigir uma conversa, mas sinto que entendi qual a parte mais importante: aprender o que deixa as outras pessoas animadas, e dar a elas a chance de se animar sempre que falam com você.

Então, da próxima vez que você estiver esperando que os três patetas te salvem, pergunte-se "o que deixa esta pessoa animada". Se você não sabe, então você sabe o que perguntar


Sucesso Ai Pessoal.... :ae
Não esqueça de agradecer ai...

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Jeffbeck

Veterano - nível 1

#715706 Muito bom o posta vei, prefeito!! Falar sobre o clima, trabalho - é muito chato mesmo.
No final você quis dizer que eu deve perguntar a um amigo meu o que o deixa feliz? caso eu não souber?

abraço!
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Ratucas - MEMBRO EXCLUSIVO
#715719 Texto grande, mas vale a pena a ler vai ajudar muitos.

Jeffbeck escreveu:Muito bom o posta vei, prefeito!! Falar sobre o clima, trabalho - é muito chato mesmo.
No final você quis dizer que eu deve perguntar a um amigo meu o que o deixa feliz? caso eu não souber?

abraço!


Acho que você não deve perguntar, não diretamente, vá conversando com a "pessoa" quando você sentir que ela esta descontraída e que aquele é um assunto que ela gosta, continue falando sobre este assunto.
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Hipley

Veterano - nível 9

#715748 Que artigo sensacional. Tenho certeza que muitos aqui do fórum vão se identificar com as coisas que você disse na parte inicial do artigo, assim como eu me identifiquei. Eu acredito que saber conduzir à uma conversa interessante é a maior dificuldade de muitos que estão por aqui e acredito que as suas dicas irão ajudar demais.
Muito obrigado por ter compartilhado.
Abraço.
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AdamSH - MEMBRO EXCLUSIVO
#715923 Que texto cara!!Muito bom e de fácil entendimento, pode ter certeza que ele vai ser muito útil pra mim, pois me identifico com muitas partes dele, vlw pela contribuição!!!
BernardoMezzomo

Veterano - nível 9

#715941 é realmente bom, mas ai valeu como qualidade tambem, tirei uns minutos pra lé e acho que vai vale a pena, depois de amanha eu tenho digamos um "encontro" é meio casual, apesar da HB ja mostrar um certo interesse em mim, acho que isso ai é um bom jeito de começa, por que quando é um set ou um negocio mais surpresa assim da pra usar bastante essas dicas... valeu ai brother !
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DOMINANTTE - MEMBRO EXCLUSIVO
#715948 Dê os créditos rapaz:

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http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j ... LbHtvElHHQ



E outra não é bom ficar só perguntando... ofereça valor com suas histórias e passe a ser mais observador, vale mais :ae