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Criador do tópico

CesarFranco - MEMBRO EXCLUSIVO
#894384 Saudações, povo!

Hoje trago mais um tópico derivado da minha pesquisa que estou fazendo aqui no PUABase.

Toda pesquisa exige a parte chamada 'revisão da literatura', que é coletar o que já foi pesquisado sobre aquilo que estudamos.

E assim, a pergunta era: e o que já foi pesquisado sobre o PUA?

Por pesquisas entende-se pesquisas acadêmicas e publicadas.

E bem, o que segue abaixo foram as pesquisas que encontrei. Uma modesta coletânea pois há pouco a ser coletado.

Todas as pesquisas então referenciadas e resumidas nos seus principais pontos.

O texto ficou curto, e se ao final você se animar, deixe sua opinião.


Pickin up and acting out: politics of masculinity in the seduction community(1)Pesquisa realizada em 2007, por Elana J. Clift, da Universidade do Texas(Austin), EUA.

Elana descobriu a comunidade através do seu irmão, que aos 24 anos nunca tinha tido uma namorada. Foi ele quem entrou na comunidade e, ao contar para a irmã como a experiência estava sendo incrível, acabou despertando nela a curiosidade para realizar a pesquisa.

E assim ela foi atrás da comunidade. Comenta que quanto mais estudava e interagia com esses homens - ela fez a pesquisa pessoalmente - mais se sensibilizava com eles. Percebeu que a visão negativa sobre serem machistas e manipuladores pode até ter uma certa razão, mas que não é a intenção da comunidade. Desenvolveu também certa empatia pelos PUAs pois conheceu algumas dificuldades e os problemas pelo qual aqueles homens passaram e que os levaram até a comunidade. Ao final de tudo, ela até foi convidada a servir de wingwoman.

Em termos de explicar métodos e técnicas, explica pouco. Fala por alto do Método Mystery, usa bastante do livro do Neil Strauss, e cita algumas técnicas isoladamente - como o cocky and funny. Oferece também, em anexo, uma lista dos principais termos PUA.

Bem, e o que Elana quis saber sobre o PUA, e a que respostas chegou?

Ela ficou intrigada com a popularidade da comunidade, e para explicar o porque dessa popularidade usou de quatro raciocínios.

Observação: ela está falando exclusivamente do contexto e da história dos EUA, que é onde surgiu o PUA. Logo, algumas coisas podem ser ligeiramente estranhas para nós brasileiros.

Haveria uma cultura masculina de longa data. Por exemplo, as fraternidades do século XIX. Ou ainda coisas como esportes e revistas masculinas(a Playboy é ótimo exemplo) que reforçavam certo sentimento de amizade e união entre os homens. Assim, a Comunidade da Sedução seria uma consequência dessa cultura masculina, e ao mesmo tempo uma contribuição para sua continuidade.

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"Nossos netos terão a Comunidade da Sedução"


Viveríamos hoje uma mudança, também de longa data, na forma como temos nossos relacionamentos afetivos. Saímos daquela situação em que o pretendente ia visitar sua amada dentro de casa dela(sob a vigilância dos pais), e chegamos a um lugar de poucas regras ou orientações de como proceder. Assim, a Comunidade ajudaria a encontrar uma ordem nessa sensação de bagunça pois oferece modos de relacionamento supostamente adaptados aos tempos atuais.

Existiu na história o chamado movimento dos homens, um desdobramento de quando ocorreu o movimento das mulheres(feminismo dos anos 1960). Tal como as mulheres passaram a pensar mais sobre si mesmas, também passaram os homens a se pensar. Esse movimento se preocupava, dentre outras coisas, com a socialização dos homens, o desenvolvimento pessoal deles, e a própria fraternidade masculina. Coisas todas que a Comunidade também invocaria. Assim, a Comunidade seria um desdobramento daquele movimento de homens, oferecendo um grupo masculino voltado à manutenção da masculinidade e também de um certo estado de espírito interior.

Por fim, a importância da internet. Não foi por acaso que a Comunidade cresceu junto da popularização da internet - lembremos que o primeiro site PUA é de 94, exatamente quando a internet engatinhava. Contudo, a internet não fez perder a importância do face a face. Assim, a Comunidade da Sedução usa da internet para ter maior alcance e possibilidades de comunicação, mas não substitui a interação pessoal.

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Nem só na Internet vive a Comunidade


Enfim, como devem ter notado, a autora tem uma abordagem bem histórica e mostra como tudo isso de PUA é, na verdade, um desdobramento e continuação daqueles quatro elementos.


Ascetic hedonism: self and sexual conquest in the Seduction Community(2)Artigo escrito em 2012, por Eric C. Hendriks, da Universidade de Mannheim, Alemanha.

Hendriks participou de encontros presenciais com PUAs da Alemanha, Holanda e dos EUA. Também foi a um bootcamp da RSD, onde teve como instrutor Julien - famoso por ser wingman de Tyler Durden.

É um artigo relativamente revelador sobre a comunidade, bem mais do que a maioria das notícias que vemos surgindo por aí(pelo menos as aqui do Brasil).

Na análise de Hendrik há três grandes escolas de sedução. A de Ross Jeffries com a PNL e hipnose; a do Mystery, com o seu método passo-a-passo; e a RSD com o método natural.

Explica um pouco sobre os termos e metáforas do vocabulário PUA - como set, kino, frame, shit test, e mais alguns. Explica também sobre como funcionam os encontros entre PUAs, e também como se dá um bootcamp. Se dedica bastante falando da noção de jogo, e como ela é importante para o PUA - uma das razões é tornar mais fácil a visão da rejeição como parte do processo.

Bem, e o que Hendrik quer saber sobre o PUA, e a que respostas chegou?

Ele não tem bem uma pergunta. É mais uma proposta de como encarar a coisa toda. Ele nota como a Comunidade da Sedução faz parte de uma longa história dos livros de autoajuda. E que assim como muito das autoajudas atuais, a Comunidade investe muito sobre um aspecto em particular: a necessidade de autodisciplina.

Daí o título do artigo: um hedonismo(isto é, a procura pela satisfação/sucesso com as mulheres) misturado com ascetismo(essa noção de que é preciso por-se à prova a todo instante). Ele ilustra isso falando da zona de conforto e de como é cobrado que o aprendiz de PUA esteja sempre es esforçando para sair dela.

Sugere então que para a Comunidade(especialmente para os seguidores do método natural) mais importante do que conseguir o sucesso com as mulheres é o próprio processo de procura do sucesso. Isto é, valoriza-se o sofrimento, a provação, a autodisciplina como se fosse esse o objetivo da Comunidade.

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"A graça tá no desafio constante"


Uma coisa interessante desse artigo é que o autor indiretamente dá a sua opinião sobre a popularização do PUA, e que por ser um tema que sempre suscita opiniões divergentes aqui no PUABase, eu menciono.

Existe talvez alguns milhões de pessoas em todo o mundo que chegaram[na Comunidade] através de DVD, livro, ou programas de televisão produzidos pela Comunidade da Sedução. Dessa massa gigante e predominantemente feita de consumidores passivos, somente uma minúscula parte é ou tem sido ativamente engajada na comunidade.


Biology as consent: Problematizing the scientific approach to seducing women's bodies (3)(4)Infelizmente não tenho acesso completo a esse artigo. Ele custa 36 dólares - pois é, atualmente vendem-se também artigos científicos pela internet. Só tenho então acesso a alguns trechos e a seu resumo.

A pesquisa foi publicada em 2011, realizada por Amanda Denes, da Universidade da Califórnia(Santa Barbara), EUA.

Seu artigo critica o Método Mystery, aquele do famoso livro O Método Mystery - Como levar mulheres bonitas para a cama. A questão que ela levanta é sobre o Mystery sugerir que os homens devem acreditar mais nos supostos sinais físicos que a mulher dá durante a sedução, e menos no que ela fala.

Denes problematiza pontualmente o Método Mystery. Por exemplo, a teoria do gato incentivaria os homens a verem as mulheres como se fossem treináveis - punir o mau comportamento, recompensar o bom comportamento. Ou ainda, o kino, que faria o homem acreditar que pelo fato da mulher ter aceitado o contato físico isso significa consentimento para posteriores investidas sexuais.


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"Tipo... não, cara."


O ponto crítico do artigo seria então esse: o Método Mystery faz o homem dar atenção a uma porção de coisas, menos ao que a mulher fala.

Mystery considera que a falta por parte da mulher de uma indicação clara da não concordância[com o avanço sexual], significa uma aprovação para [o homem] seguir adiante. Ele diz aos leitores: "Se você está tirando as roupas dela e ela diz, 'A gente deveria parar', apenas concorde com ela... e então continue. 'Eu sei, baby', você diz e continua tirando as roupas dela. 'A gente deveria parar'.(p. 202). Aqui, novamente Mystery sugere ignorar completamente a comunicação verbal, o que significa que menos que a força física seja usada para interromper aquele comportamento, a mulher estaria concordando com o ato. Assim, a resistência verbal é ignorada enquanto a pressão pelo sexo aumenta.

O que está segundo sugerido, então, é que o Método Mystery poderia aumentar o risco das mulheres serem submetidas ao sexo não-consensual ou a atividades sexuais forçadas.



Tem ainda pesquisas em andamento. Uma que consegui encontrar é a de Rachel O'Neill(5), irlandesa e associada ao King's College, de Londres.

Sua pesquisa será sobre a Comunidade britânica. Sua intenção é investigar como essa comunidade influencia a contemporânea reconfiguração da masculinidade, e como a própria comunidade pode estar ajudando nessa reconfiguração. O título provisório seria Masculinidade e mudança social: o caso da 'Comunidade da Sedução'.


Referências(1)https://webspace.utexas.edu/ejc329/ElanaCliftThesis.pdf
(2)http://socrates.berkeley.edu/~caforum/volume11/vol11_Hendriks.html
(3)http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0277539511000793
(4)http://jezebel.com/5820520/an-academic-approach-to-creepy-pickup-artists
(5)http://www.kcl.ac.uk/artshums/depts/cmci/people/student/oneill/index.aspx



Comparando com as aparições em jornais e revistas, o interesse acadêmico é ainda menor. Por isso encontrei somente estas três pesquisas publicadas - e mesmo que possivelmente eu não tenha encontrado todas, a própria dificuldade em achá-las sugere que não são muito abundantes.

De todo modo, é notável que pessoas de diferentes países tenham tido o interesse de pesquisar o PUA em termos acadêmicos.

Opiniões são bem-vindas!

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>>Psychokiller<<

Entusiasta

#898700 Cesar, vim aqui lhe dar os parabéns por este estudo do Pick Up que tu esta a fazer. Para quem se interessa por uma perspectiva acadêmica do PU, seus artigos, não só este, mas todos da série, certamente são de grande valia.

Abraços!
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Panjo

Veterano - nível 9

#898737 Parabéns pela iniciativa Cesar.
Fiquei com a impressão que esses estudos que você apontou são mais estudos descritivos.


Sabe me dizer se tem estudos mais específicos testando de maneira controlada cada um dos inuameros pressupostos do mundo PUA?
Abraço
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Paradisepunx - MEMBRO EXCLUSIVO
#898754 Como pesquisador na base de dados do CNPQ (plataforma Lattes), e conhecendo metodologia de pesquisa, modo como se produz mestrados, doutorados e etc... fico feliz de ter pouco artigos sobre o tema, PUA não tem nenhuma relação com babaquices antropológicas, filosóficas, teorização excessiva faz toda coisa prática ser apenas um debate acalorado com chavões repetitivos como machismo, feminismo, patriarcalismo e coisas do tipo.

Sim parabenizo o amigo pela pesquisa árdua, e por trazer a tona essas informações, mas sinceramente espero que o pua passe longe dos olhos curiosos de acadêmicos aventureiros e sua mania de enquadrar tudo em chavões.

Paradise !
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Criador do tópico

CesarFranco - MEMBRO EXCLUSIVO
#898831
Panjo escreveu:Parabéns pela iniciativa Cesar.
Fiquei com a impressão que esses estudos que você apontou são mais estudos descritivos.


Sabe me dizer se tem estudos mais específicos testando de maneira controlada cada um dos inuameros pressupostos do mundo PUA?
Abraço


De fato, são um tanto descritivos.

Não encontrei nenhum estudo que testasse os pressupostos PUA, e acredito que é difícil porque o PUA usa de vários(muitos mesmo), então é complicado reunir tudo num estudo só.

Talvez alguém da área de psicologia pudesse trazer alguns estudos mais ou menos relacionados às coisas do PUA, mas eu desconheço.

Paradisepunx escreveu:Como pesquisador na base de dados do CNPQ (plataforma Lattes), e conhecendo metodologia de pesquisa, modo como se produz mestrados, doutorados e etc... fico feliz de ter pouco artigos sobre o tema, PUA não tem nenhuma relação com babaquices antropológicas, filosóficas, teorização excessiva faz toda coisa prática ser apenas um debate acalorado com chavões repetitivos como machismo, feminismo, patriarcalismo e coisas do tipo.

Sim parabenizo o amigo pela pesquisa árdua, e por trazer a tona essas informações, mas sinceramente espero que o pua passe longe dos olhos curiosos de acadêmicos aventureiros e sua mania de enquadrar tudo em chavões.

Paradise !


Entendo sua visão, mas sendo também um pesquisador eu vejo a coisa por outro lado.

Se supõe que uma pesquisa tenha por objetivo esclarecer alguma coisa. As pesquisas que citei, e a que estou fazendo, tem como objetivo esclarecer um pouco tudo isso de PUA e mundo da sedução.

Portanto, se um pesquisador(ou pesquisadora) chegar aqui e sair rotulando com 'machismo, feminismo, patriarcalismo e coisas do tipo' isso não é pesquisa... Pode ser militância ou sei lá o que, mas não é pesquisa.

A pesquisa da Clift, citada acima, é ilustrativa. Ela é feminista, mas durante sua pesquisa evitou esses rótulos fáceis e admitiu ter visto um outro lado do PUA. E a pesquisa que estou fazendo segue o mesmo caminho: quanto mais pesquiso, mais vejo que os tais chavões passam longe de explicar ou ajudar a entender o que acontece aqui dentro.

Claro, uma pesquisa sempre tenta um teor crítico(como a pesquisa da Denes, citada acima). Mas criticar é diferente de julgar. E, por outro lado, vejo que a própria comunidade é muito crítica de si mesma, em alguns casos até adiantando a crítica que um pesquisador poderia fazer.

Enfim, acredito que pesquisas acadêmicas ajudam a dar mais conteúdo e seriedade a esta comunidade. Tomando como contraste as matérias de jornal/revista e as aparições em TV, vemos que geralmente fazem gozação ou usam daquele tom divertido; já uma pesquisa acadêmica pode ajudar a entender a comunidade pela visão dos próprios participantes, e sempre respeitando essa visão.

Se alguém diz que o PUA o ajudou a mudar de vida, não cabe à pesquisa rotular ou julgar, elogiar ou reprovar, mas sim entender(na medida do possível) o que leva alguém a dizer isso.

É mais ou menos isso que as pesquisas citadas acima fizeram, e é mais ou menos isso que minha pesquisa de mestrado aqui no PUABase tenta fazer.
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Paradisepunx - MEMBRO EXCLUSIVO
#899329
CesarFranco escreveu:
Panjo escreveu:Entendo sua visão, mas sendo também um pesquisador eu vejo a coisa por outro lado.

Se supõe que uma pesquisa tenha por objetivo esclarecer alguma coisa. As pesquisas que citei, e a que estou fazendo, tem como objetivo esclarecer um pouco tudo isso de PUA e mundo da sedução.

Portanto, se um pesquisador(ou pesquisadora) chegar aqui e sair rotulando com 'machismo, feminismo, patriarcalismo e coisas do tipo' isso não é pesquisa... Pode ser militância ou sei lá o que, mas não é pesquisa.

A pesquisa da Clift, citada acima, é ilustrativa. Ela é feminista, mas durante sua pesquisa evitou esses rótulos fáceis e admitiu ter visto um outro lado do PUA. E a pesquisa que estou fazendo segue o mesmo caminho: quanto mais pesquiso, mais vejo que os tais chavões passam longe de explicar ou ajudar a entender o que acontece aqui dentro.

Claro, uma pesquisa sempre tenta um teor crítico(como a pesquisa da Denes, citada acima). Mas criticar é diferente de julgar. E, por outro lado, vejo que a própria comunidade é muito crítica de si mesma, em alguns casos até adiantando a crítica que um pesquisador poderia fazer.

Enfim, acredito que pesquisas acadêmicas ajudam a dar mais conteúdo e seriedade a esta comunidade. Tomando como contraste as matérias de jornal/revista e as aparições em TV, vemos que geralmente fazem gozação ou usam daquele tom divertido; já uma pesquisa acadêmica pode ajudar a entender a comunidade pela visão dos próprios participantes, e sempre respeitando essa visão.

Se alguém diz que o PUA o ajudou a mudar de vida, não cabe à pesquisa rotular ou julgar, elogiar ou reprovar, mas sim entender(na medida do possível) o que leva alguém a dizer isso.

É mais ou menos isso que as pesquisas citadas acima fizeram, e é mais ou menos isso que minha pesquisa de mestrado aqui no PUABase tenta fazer.


Discurso bonitinho, fez o dever de casa mocinho. :ae

Felizmente a vida é feita de coisas muito mais complexas que discursos politicamente corretos. :legal

Paradise !
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ubaldo

Aprendiz

#899352 Muito boa a pesquisa, mas também concordo com muita das coisas que nosso amigo "Cesar franco" falou. Ela usou sua opinião feminista ao pesquisar sobre o PUA.

Deve-se analisar o que o nosso PUA base, vem trazendo a vida de cada um... Aqui aprendemos a desenvolver habilidades, proporcionadas por nosso colegas PUAS em suas mais diversas aventuras pelo mundo...

Impressionante como mulheres se defendem , mesmo quando as outras estão erradas. Não repararam nisso?

Abraços!