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Veterano - nível 4

#481055
Tópico tirado da Revista Men's Health


Se você toma muito sol, sem proteção, corre sério risco. Vá para o espelho, pois... O perigo está na cara


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Se você faz parte dos 6% de brasileiros que afirmam nunca se expor ao sol, talvez possa ficar tranqüilo. Mas, se pega praia, vai à piscina, tira a camisa no churrasco, na pelada com os amigos ou quando corre no parque, comece a se preocupar. E caso esteja dentro do universo dos 70% de brasileiros que nunca usam protetor solar, pode entrar em pânico.

Sim, esbaldar-se sob o sol pode ser tão arriscado quanto abusar de gorduras, ser sedentário, fumar ou fazer sexo sem camisinha. Você acha que o perigo de ter um câncer de pele é tão vago e improvável quanto o de um raio cair na sua cabeça? Não é. Aconteceu comigo. E, além de estatísticas e dados de especialistas, vou usar minha experiência para ajudá-lo a perceber o risco. Mas minha história eu descrevo mais adiante.

“A principal causa do câncer de pele é a exposição prolongada e repetida à radiação solar ultravioleta”, afirma o dermatologista Luis Fernando Tovo, um dos organizadores do censo sobre pele realizado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cujos resultados foram divulgados no 21o Congresso Mundial de Dermatologia, em Buenos Aires, em outubro. Os raios que precipitam o aparecimento de lesões cancerosas são especialmente os UVB (de comprimento curto, com nível de energia que permite rápido bronzeamento, podem provocar queimaduras graves). Os UVA (de comprimento longo, com baixo nível de energia, demoram para causar queimaduras), por sua vez, são ótimos para bronzear, mas envelhecem a pele. A longo prazo, além de rugas e flacidez, podem causar câncer pelo efeito cumulativo.

O câncer mais perigoso é o melanoma: foi ele que matou Bob Marley, por exemplo. Agressivo e de evolução rápida, é o que mais cresce no mundo: nos últimos dez anos, sua incidência aumentou 20%. Embora represente menos de 7% dos casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer, tem notável facilidade de dar origem a metástases, ou seja, de se espalhar para outros órgãos, uma vez que uma célula cancerosa entre na corrente sangüínea ou linfática. O outro tipo, o carcinoma, é menos agressivo e raramente fatal. Na forma basocelular, aparece em 70% dos casos, tem crescimento lento e raramente se dissemina. Na forma espinocelular ou de células escamosas (25% das ocorrências), cresce mais rápido e lesões maiores podem levar a metástases.

De todos os tipos de câncer, o de pele é mais comum no Brasil, com 25% dos casos. Felizmente também é um dos mais previsíveis. Segundo a dermatologista Ana Maria Pinheiro, professora da Universidade de Brasília (UnB), suas vítimas preferenciais são indivíduos de pele e olhos claros, sardentos, que ficam vermelhos rápido e se bronzeiam com dificuldade, com mais de 40 ou 50 anos. Quer dizer, esse costumava ser o perfil. Os dermatologistas notam um aumento das ocorrências em pacientes jovens. “Tornou-se comum receber no consultório caras de 30 anos com uma pinta no rosto que não desaparece”, conta o dermatologista Roger Ceilley, professor da Universidade de Iowa (EUA). E, quanto mais clara a pele, maior o risco. Em 2006, no Brasil, 61,8% dos pacientes eram brancos e apenas 6,8% eram negros. Estes levam uma vantagem natural, já que a melanina, pigmento que dá cor à pele, ajuda a protegê-la também.

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Culpe a camada de ozônio

Fazer um flashback para descobrir as raízes da expansão da doença é fácil. Tudo começou há uns 50 anos, quando o bronzeado deixou de ser um estigma social para virar moda. Antes, durante séculos, o branco-escritório foi considerado não só um charme, mas um traço nobre. “A pele bronzeada era característica das classes baixas, que faziam trabalho braçal sob o sol”, conta o dermatologista americano David Horne. “Foi apenas em nossa época que as pessoas começaram a deitar ao sol para ‘melhorar’ a aparência. E agora estão pagando por isso.”

Esse também pode ser o preço que temos que pagar por causa das agressões ao meio ambiente: com o aumento do buraco na camada de ozônio, a radiação ultravioleta chega cada vez mais forte à Terra. “Cada 1% de diminuição da camada de ozônio representa um aumento de 4% no risco de ter câncer de pele”, revela o dermatologista Luis Fernando Tovo. Ou seja, as taxas mais altas de câncer são provavelmente resultado de uma combinação explosiva: mais gente passando mais tempo ao sol e a menor proteção do planeta contra os raios nocivos.

Se você relaxa e esquece uma única vez de passar protetor solar na praia, já corre perigo, uma vez que os danos do sol na pele são cumulativos. “Uma queimadura que formou bolhas na infância pode dobrar seu risco de desenvolver a doença”, adverte o cientista irlandês William Gallagher, diretor de um estudo feito em 2005 pelo Instituto de Pesquisa Biomolecular e Biomédica UCD Conway, de Dublin, na Irlanda. Os pesquisadores examinaram o DNA de células cancerosas de um jovem com melanoma e descobriram uma associação entre a doença e uma estranha mutação produzida em um gene do cromossomo Y (presente apenas no sexo masculino). “Se o gene está desativado, os tumores que aparecem são menores e menos agressivos”, explica Gallagher.

DNA danificado

O desafio de Gallagher agora é descobrir se o gene é um gatilho ou apenas uma bandeira vermelha levantada quando o mecanismo do melanoma é ativado. E, caso seja um gatilho, como sugerem as evidências, qual o papel do sol para acioná-lo? Segundo a Fundação do Câncer de Pele dos EUA, 80% da radiação solar recebida durante a vida ocorre nos primeiros 20 anos, mas os efeitos só se manifestam bem mais tarde. Proteção solar regular na infância pode reduzir o risco da doença no mesmo patamar de 80%.

“Seu DNA é danificado quando os raios do sol atingem as células”, diz Randall Roenigk, presidente do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Clínica Mayo (EUA). “O bronzeado não é nada mais do que isso – células danificadas tentando se reconstruir. Mas, com o passar do tempo, essas células ficam cansadas e já não se reconstroem bem.” Esse código genético será passado para as próximas gerações, colocando filhos e netos em risco. Tanto que, no levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia, 16,5% dos portadores tinham histórico de câncer de pele na família.

Você está na zona de risco?


A resposta é sempre “sim”. Mas, para descobrir seu grau de risco, responda a estas dez perguntas


1. Você é do sexo masculino?

A pergunta é válida, meu caro, porque mulheres também lêem esta revista! E elas nunca tiram a camisa no parque ou durante o jogo de futebol, como nós costumamos fazer.

2. Você é branco?

O câncer de pele faz discriminação racial. Os brancos têm dez vezes maior probabilidade de desenvolver câncer de pele do que os negros, porque a pigmentação escura funciona como uma proteção solar natural.

3. Você é ruivo?

Caras com apelido de Ferrugem correm até quatro vezes mais risco. O pigmento do cabelo ruivo está presente em toda a pele e fornece menos proteção natural às radiações ultravioleta A e B do que o pigmento que produz cabelo escuro.

4. Você tem histórico familiar de câncer de pele?

Como em outros tipos de tumores, a propensão ao câncer de pele pode passar de geração para geração. Um gene defeituoso é capaz de tornar galhos da árvore genealógica mais sensíveis ao sol.

5. Você sofreu queimadura de sol grave quando era criança?

Se você se lembra de ter ficado alguma vez muito ardido, provavelmente foi uma queimadura grave. E somente uma queimadura na infância pode dobrar seu risco.

6. Você já fez bronzeamento artificial?

Caso você já tenha pago uma única vez para ficar moreno, aumentou duas vezes e meia seu risco de desenvolver um carcinoma espinocelular e uma vez e meia de desenvolver um carcinoma basocelular.

7. Você é fumante ou ex-fumante?

Não só seus pulmões saem perdendo. Fumar entre 11 e 20 cigarros por dia mais do que triplica o risco de desenvolver carcinoma de célula escamosa, segundo um estudo de 12 anos realizado com quase mil pessoas.

8. Você vive no alto da montanha?

Quem mora em cidades altas têm 34% mais risco de sofrer uma queimadura solar. É fácil de entender: a grandes altitudes, o ar é mais rarefeito e, conseqüentemente, a radiação UV que você recebe é mais intensa.

9. Você tem sardas ou muitas pintas?

Sardas raramente se tornam cancerosas, mas são sinal de um defeito de pigmentação que aumenta sua suscetibilidade ao sol. As verrugas, porém, podem sofrer mutação e se tornar melanomas.

10. Você fica muito tempo ao ar livre no trabalho?

Quando seu corpo é bombardeado por radiação ultravioleta 40 horas por semana, 52 semanas por ano, existe um potencial incrível para danos à sua pele e ao seu DNA.

RESULTADO

Se você respondeu “não” da primeira à última pergunta, seu risco é BAIXO.

Se você respondeu “sim” a uma ou duas perguntas, seu risco é MÉDIO.

Se você respondeu “sim” a três ou mais perguntas, seu risco é ALTO. Examine com cuidado sua pele uma vez ao mês.

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A prova do espelho

Existe um instrumento fantástico para detectar câncer de pele no estágio inicial – e você tem um no banheiro. “De todos os tipos de câncer, esse é o único que se enxerga. Ao fazer a barba, os homens podem notar manchas e pintas no rosto”, diz o dermatologista Randall Roenigk.

Aqui, começo a descrever minha história, pois graças ao espelho notei uma pinta estranha. Tive sorte de ter sido vítima do tipo menos agressivo, o carcinoma basal, e o tumor foi removido sem problemas. Uns dez anos depois, uma amiga, ex-fã do sol, não teve essa sorte. Vendo um programa feminino na TV, ela achou um melanoma parecido com uma pinta que tinha nas costas. Procurou um médico, mas já havia ocorrido metástase e o câncer matou-a em poucos meses. É bom frisar que minha geração (a mesma dela) foi durante décadas à praia sem protetor solar. Pior: as pessoas passavam óleo de coco ou uma mistura de Coca-Cola e urucum para se bronzear ao máximo.

Comecei a reparar numa pinta rosada na região do maxilar, que eu agredia diariamente fazendo a barba. Meu relacionamento desconfiado com ela durou meses, até que um dia percebi uma mudança de cor e forma. Procurei meu pai, que era médico, e ele sugeriu que eu procurasse um especialista. A consulta foi rápida e o diagnóstico, lacônico: “Vamos retirar”. Meu pai fez a cirurgia e a biópsia acusou o câncer, ainda pequeno. Durante um tempo fiquei traumatizado: bastava descobrir uma pinta ou mancha e eu corria para o consultório. Hoje a neura passou.

Atualmente, além da cirurgia, outros métodos de cura proporcionam bons resultados, como a crioterapia e a terapia fotodinâmica, nos tumores superficiais. A crioterapia consiste em congelar a lesão com um jato de nitrogênio líquido a 40 graus negativos. A terapia fotodinâmica, antiga técnica criada em 1904, foi agora reabilitada e aperfeiçoada: aplica-se um creme e depois uma luz: o princípio ativo sensibiliza o tumor e a luz o destrói.

Mas o que vale é prevenir. Esperamos que você esteja careca de saber como. Expondo-se gradualmente ao sol, com protetor solar com fator no mínimo 15 das orelhas aos pés, e se enfiando sob o guarda-sol o máximo de tempo possível no horário crítico das 10 às 15 horas. “Mas esses cuidados não significam um passaporte livre para o sol”, observa o dermatologista Luis Tovo. Então, abra os olhos.

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