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Criador do tópico

CesarFranco - MEMBRO EXCLUSIVO
#892037 Saudações, povo!

Hoje faço um tópico diferente dos que vim fazendo.

Ao invés de falar algo da minha pesquisa, coloco uma reflexão bem pessoal.

Apesar de não ser um PUA e não estar aqui com essa intenção, tento falar de um problema que, pelo que notei, atinge a muitos no fórum: a timidez.

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E como sou tímido, falo do lugar de quem sabe o que é ser tímido num mundo que valoriza pra caramba as pessoas não-tímidas(livros tipo O poder dos quietos me parecem pra lá de suspeitos).

A intenção é tentar devolver um pouco da ajuda que a comunidade como um todo tem me dado em minha pesquisa.

Falo sobre timidez mas evito cair no senso comum. Aquilo do 'saia de casa e se arrisque', 'apenas converse com as pessoas', 'isso é um medo seu que você tem que superar encarando de frente', tento não reproduzir esse tipo de coisa. Apesar de serem coisas potencialmente úteis, para mim nunca funcionaram - e quem sabe você também tenha tentado e não tenham adiantado de nada.

Enfim, não é um texto que ao final você pode criticar com o 'falar é fácil, o difícil é fazer'. Bem, espero que não rs.

Vamos lá.

O que é timidez?De acordo com o dicionário[1], temos que:

timidez
ti.mi.dez

sf. (tímido+ez) 1 Qualidade de tímido; acanhamento excessivo. 2 Fraqueza de ânimo. Antôn: audácia, desembaraço.


Ou seja, pelo dicionário, se você é acanhado, é tímido; se você não é audacioso ou desembaraçado, é tímido também. Não explica muito, e faz a timidez ser algo genérico.

Num viés psicológico[2], porém, a timidez tem outra definição.

Inibição do desempenho em situações sociais. Indica existência de ansiedade leve ou moderada, suportáveis pelo indivíduo, e que não o impedem de tirar proveito das situações.


Note a palavra suportáveis. Isto é, a timidez não gera prejuízo na vida da pessoa. Não a faz faltar em eventos sociais nem evitar contatos sociais - como o abordar uma garota. Você pode ficar vermelho, tremer, até gaguejar, mas o tímido consegue sim ir adiante e encarar a situação. É o caso daquelas pessoas famosas, ou que fizeram coisas grandiosas, mas que se diziam tímidas - Abraham Linconl e Gandhi, líderes exemplares, eram tímidos.
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"Sou tímido, mas tô indo ali liderar um país em crise."


Timidez não é, então, o fim do mundo. E se esse for o seu caso, se dê por feliz porque em termos de inibição social você tem o menor dos problemas.

Mas então, supondo que o sujeito não consiga ir adiante - fique vermelho, trema, gagueje, e para piorar evite sair de casa ou dê desculpas para não conversar com as pessoas -, o que isso quer dizer?

Bem, isso é um indicativo de fobia social.


Fobia socialDe acordo com o psiquiatra da USP, Márcio Bernik[3], a fobia social está além do simples nervosismo diante de uma exposição pública.

Ansiedade social todos nós temos. É normal sentir certo grau de preocupação com a imagem e ao falar com uma autoridade ou com uma pessoa que não conhecemos, mas a maioria consegue lidar com essa sensação de desconforto. Algumas pessoas, porém, chegam a evitá-las de modo tão intenso que comprometem a qualidade de vida. Esse tipo de esquiva fóbica é o que chamamos de fobia social.


É o famoso ah, se eu tivesse feito/dito/ido... que nos martiriza a consciência. Eu já tive muito desses se eu..., e infelizmente continuo tendo. Não estou dizendo que sou fóbico social, e nem que você(que de repente reconhece isso em si) tem fobia social. A ideia aqui é distinguir a timidez(não gera prejuízos nem a vontade de evitação das coisas) de algo mais sério, como a fobia social(que gera prejuízos e vontade de evitar as coisas).

Perceba então que tudo é muito sutil. Há gente que não tem problema algum em ter amigos e relacionamentos, mas trava em uma reunião no trabalho. Tem pessoas que não ter um círculo social grande mas conseguem fazer ótimas apresentações em público. Por outro lado, já notei pessoas super descoladas, cheias de amigos, relacionamentos que vem e vão feito cueca, mas que na hora de apresentar um trabalho em grupo tremem e ficam com as orelhas visivelmente vermelhas.

Asim, quando se fala de timidez/fobia social é preciso considerar caso a caso. Em alguns, é um problema que vai para todas as partes da vida; para outros, é algo mais específico. E em casos mais drásticos, temos aquelas pessoas que não conseguem comer em público, por exemplo, ou então usar o banheiro fora de casa.

Enfim, os sintomas podem ser tensos(o que espero não ser o caso de ninguém aqui)[4].

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Ainda com Bernik[3], só 30% dos casos de fobia social - ou seja, a 'timidez' mais grave - são de razões genéticas, o restante se dá por vivências complexas. Ou seja, você possivelmente não nasceu assim, mas aprendeu, de algum jeito, a ser assim.

É perturbador pensar que você aprendeu a ser algo que te faz mal. Mas isso também pode conter o segredo para resolver o problema, como discuto logo mais.

De acordo com certo ramo da psicologia, a ansiedade(que faz parte tanto do tímido quanto do fóbico) se origina porque a pessoa vê o mundo como perigoso, um lugar cheio de ameaças em potencial. É por isso que ficamos tensos, vermelhos, trememos: é nosso corpo reagindo a essa sensação de perigo. Mas o mais danoso disso é que nos tornamos, por assim dizer, exagerados.

A excessiva atenção a estas pistas produz autocrítica exagerada e percepção distorcida dos próprios comportamentos que poderiam passar despercebidas. Assim, um breve silêncio na interação social, por exemplo, é interpretado como desinteresse, e a recusa de um convite pode significar constante isolamento e solidão.[5]


Se identificou? Pois eu sim. Quantas vezes uma entonação de voz que a pessoa usou comigo me deixou bolado, pensando mil coisas e possibilidades. Quantas vezes levei certas coisas e atos tão a sério só para depois ver que a outra pessoa simplesmente nem sequer lembrava daquelas coisas ou atos. E pior, depois de um tempo, a gente percebe que fizemos uma inútil tempestade em copo d'água.

Continuando:

Sob a lente de crenças distorcidas, estímulos neutros são erroneamente interpretados como negativos, enquanto aqueles positivos e seguros são ignorados.[...] Tal percepção distorcida pode desencadear sintomas físicos, comportamentais e cognitivos, que geram desconforto, reforçam a auto-imagem de inadequação e sentimentos de humilhação e contribuem para o afastamento do convívio social.[5]


É importante notar, então, que se trata de crenças distorcidas. Mas poderosas. Se você não as controla, vão fazer você entrar num círculo infinito: você só nota as coisas ruins, o lado negativo de tudo que você faz, e na próxima vez que for fazer aquilo(ou algo parecido) tua experiência passada vai te pressionar cada vez mais. É um efeito bola-de-neve, e que começa com uma crença distorcida, isso que provavelmente não nasceu contigo...

Ok, até aqui o que tentei mostrar é como existe a timidez e a fobia social. E se você está no lado da timidez, menos mau; certamente será mais fácil para você resolver o problema(e afinal talvez nem seja um problema, senão um traço de sua personalidade).

Agora, se você está mais pro lado da fobia, aí é quando o cinto aperta.


E agora, o que fazer?O primeiro passo é lembrar aquela máxima contra os teimosos e orgulhosos: reconheça o problema. Ter dificuldades sérias de convívio social não é motivo de vergonha nem quer dizer que você é uma pessoa pior. É uma dificuldade que precisa ser trabalhada e só. E portanto, a reconheça. E reconhecendo, busque ajuda. Se julgar necessário, ajuda profissional.

Sim, psicólogos e afins são caros. Mas, caso você não saiba, faculdades e universidades com cursos de Psicologia tem o hábito de oferecer assistência para a comunidade(isto é, pessoas que não são alunos da faculdade/universidade). Às vezes é gratuito, às vezes é cobrado um preço simbólico.

O serviço é prestado por alunos prestes a se formar, mas contam com a supervisão de seus professores. Eu já fiz e recomendo. No meu caso ajudou pra caramba. Não resolveu o problema, mas mostrou que há uma saída - e a depender do caso, saber que existe uma saída já é um alívio tremendo, tipo um ponta-pé inicial.

Se você é de Curitiba, recomendo o serviço da Universidade Federal do Paraná. Foi lá que tive auxílio. Você só tem que fazer uma 'contribuição' de R$1 a R$20 reais por semana enquanto durarem as sessões. São sessões semanais.

Mas o profissional nunca vai fazer você mudar. Pode indicar o caminho, apontar algumas coisas, mas a mudança é você quem faz. É como Morpheus dando as pílulas pro Neo: o caminho é mostrado, mas cruzar a porta, essa é uma decisão sua.

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"I'm trying to free your mind, Neo. But I can only show you the door. You're the one that has to walk through it."


O que me leva ao ponto seguinte: a ajuda profissional não retira a tua responsabilidade. Existe uma a resposta, e num nível muito básico é você quem precisa encontrar.

Considero que assim como cada pessoa é diferente da outra, e cada um tem um problema que é diferente do da outra(mesmo que os dois tenham esse problema de timidez/fobia social), cada um precisa achar a verdade sobre sua situação e seu problema. E geralmente essa verdade é encontrada por cada um numa trajetória reflexiva muito pessoal.

O que se segue então não é uma receita, senão o trajeto reflexivo que eu fiz e que me ajudou muito com meu problema em me relacionar com as pessoas e com o mundo de forma geral.


O budismo, o ego, e sua dificuldade em socializarNão sou budista praticante nem exímio conhecedor. Na verdade, tomo o budismo pelo seu lado prático e filosófico. Então não estou tentando convencer ninguém a ter crenças espirituais-religiosas.

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Aqui no fórum já vi algumas menções bacanas à lógica budista de pensamento. Aqui, por exemplo, don conejo fala da inutilidade do arrependimento sob o viés da sabedoria budista, e no desenrolar do tópico são citadas todas as quatro leis da espiritualidade, todas muito boas para nosso dia a dia(mesmo que tomadas filosoficamente e não como religião).

E o budismo pode ajuda também a você que tem dificuldade em interagir com as pessoas, dificuldade em socializar.

Uma das premissas básicas do budismo é que vivemos num mundo de ilusão - novamente o exemplo da Matrix vem bem a calhar. E por consequência nós temos uma crença errônea em diversas coisas. Coisas falsas mas que tomamos por verdadeiras. E uma delas é nosso ego[6].

Crescemos pensando em nós mesmos como uma unidade perfeita, um pedaço separado de todo o resto. E se sou um pedaço, e assumo haver outros pedaços, logo vem a vontade de ser diferente dos outros pedaços. E mais que diferente, ser melhor do que os outros pedaços.

É aí que seu ego passa a significar uma busca por reconhecimento, destaque, sucesso. E a menos que você queira ser um monge budista, não há problema nisso. O problema só começa quando aquela busca torna-se cega e descontrolada.

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Na teoria é bom, as consequências práticas é que complicam.


Sim, porque quanto mais especial você e seu ego quiserem ser, mais você vai se cobrar. Você precisa de aplausos, de tapas nas costas, de elogios, por isso não pode falhar.

E não importa se as outras pessoas sequer estão vendo suas falhas, pois você passa a se cobrar tanto que passa a estar sempre numa acirrada competição com imagem que fez de si mesmo. E aí é aquilo que o estudo acima dizia: você se concentra só nos seus erros, fazendo até o que era 'neutro' ser um sinal de sua falha. É a autocrítica severa, a marcação cerrada sobre si mesmo de um jeito que ninguém nunca jamais te marcará.

Nisso faço-me exemplo. É quase lei: olhando estes 20 e tantos anos, encontro sempre dois imperativos por detrás de cada ato, seja de sucesso, de fracasso, ou de puro medo: seja um indivíduo(esse ego separado do resto) e seja melhor do que os outros. Resultado: cá dentro orgulho e vaidade fermentando, borbulhando até transbordar nessa ansiedade estúpida de estar sempre sendo julgado e avaliado(e por isso a sensação de que não posso errar nunca, um dos princípios da timidez/fobia social).

E a cada elogio que eu recebi nessa jornada fazia tudo piorar, pois era como se fosse uma pressão a mais: 'fui reconhecido, então tenho que manter a fama', era o que meu ego dizia. Outra vez, um ciclo infinito que culminaria em mais ansiedade e dificuldade em me expor fosse qual fosse a situação - exagerando para deixar claro, é como aquele atleta que quebrou um recorde e agora se cobra para quebrar o próprio recorde, ou então a banda que lançou o primeiro um primeiro álbum sensacional e agora precisa manter o nível no segundo álbum... uma dinâmica potencialmente negativa.

A solução a que cheguei, e que tento compartilhar aqui com vocês, foi anular meu ego.

É como disse Reginal Ray, um budista norte-americano.

O ego deve ser destronado, sua arrogância deve ser desmantelada, e temos de começar, antes que seja tarde demais.


É uma receita clássica do pensamento budista: reconheça a ilusão desse mundo e seus conceitos, e alcance um estado de nulidade.
Não se pense mais como uma unidade, um pedacinho separado do todo e que quer se destacar. Pelo contrário, note como você é o todo e o todo é você, e portanto tanto faz como tanto fez o que aconteceu contigo hoja na rua, se foi vergonhoso, se foi vexame, se foi ridículo. Pouco importa também se você acha que vai passar vergonha se fizer X, que vai ser um vexame daqueles se Y acontecer, ou que seria ridículo estar na situação Z.

Se você é nulo, se você destronou seu ego, não existe onde a vergonha, o vexame ou o rídiculo possam te encontrar.

Pode parecer meio deprimente, mas na verdade é potencialmente libertador. É reconhecer-se como algo que não precisa ser, pois já é. E se já é, não tem o que provar. Nem para si, e muito menos para os outros.

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E isso é possível.

Afinal, se a timidez/fobia social depende de suas vivências, de suas crenças, ela é reversível - a menos que você esteja naqueles 30% que tem um problema genético.

Voltando ao meu caso como exemplo, mais que possível, olhar a crença deste modo foi o primeiro passo rumo a dar um jeito nessa minha timidez que sempre tendeu à fobia social.

Não, não cheguei a solução do meu problema em socializar e conhecer pessoas novas, e profissionalmente isso ainda é um desafio(quero ser professor, mas como diabos darei uma aula estando vermelho feito pimentão? rsrs). Mas, como dizia acima, é um ponta-pé inicial, e é a verdade sobre essa minha timidez.

Quem sabe pode ser a verdade sobre a sua também. Ou ao menos um pedaço dela.



REFERÊNCIAS:
[1] http://michaelis.uol.com.br/moderno/por ... ra=timidez
[2] http://www.timidez-ansiedade.com/glossario/
[3] http://drauziovarella.com.br/crianca-2/fobia-social/
[4] http://www.scielo.br/scielo.php?script= ... 9000400015
[5] http://www.scielo.br/pdf/rbp/v30s2/a07v30s2.pdf
[6] http://www.saindodamatrix.com.br/archiv ... dismo.html

ANÚNCIOS

roxbest

Aprendiz

#892045 Bacana o tópico Cesar. Curti :ae. Parece ser fácil sair da timidez e mudar, mas é mais difícil que parece, estou lutando contra ela. Mas não é fácil...
Estas

Aprendiz

#892049 Deu algumas respostas pra perguntas que eu respondi mas nas não quis aceitar as respostas. Foi realmente inspirador esse post.
Fh Chacal - MEMBRO EXCLUSIVO
#892153 Muito bom...........E bem escrito.

Sem muito a acrescentar.

Apenas sobre a questão da "Realidade",e como diria
Albert Einstein -

"A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente"


E por falar na Realidade sendo uma ilusão,sempre vejo esse vídeo(curtinho,3 minutos),bem bacana

gui.gui - DOADOR

Veterano - nível 10

#892163 Primeiramente, parabéns pelo artigo. Achei muito legal a iniciativa, principalmente por ter sido embasado em conhecimentos científicos mesclados com situações vivenciadas. Sem contar que foi bem escrito (coisa rara hoje em dia).

Como tenho interesse sobre psicologia e já li várias coisas a respeito, acho que posso dar uns pitacos.

Não sei se entendi muito bem o que você quis dizer com destronar o próprio Ego. Se for em relação a "aniquilar" o Ego, discordo veemente pois ele sempre estará presente. O que precisamos fazer é aprender a controlar o Ego e aprender a conviver com as artimanhas que ele sempre tentará colocar em execução.

Isso é feito a partir de reflexão e observação das suas próprias sensações e reações. A partir do momento que você sabe como o seu Ego age em determinadas situações, você consegue prever como você vai se sentir daqui a alguns instantes e já consegue elaborar algum plano de reação. Quando esse processo estiver mais desenvolvido (o que pode levar muito tempo), você passa a conseguir conviver com a sensações desconfortáveis.

Acredito que a maestria nesse processo é atingida a partir do momento que você aceita o fato de que algumas coisas não estão sobre o seu controle, então não faz sentido se preocupar com o resultado sobre essas coisas. Você apenas faz o seu melhor e, tendo ciência disso, você sentirá realizado mesmo que o resultado seja negativo. Voltando ao Ego, ele tentará te atormentar com o fato de você ter falhado, mas, você sabendo disso, não se importará com essa sensação pois sabe que fez o seu melhor e o resultado não está sobre o seu controle.

A partir do momento que eu passei a não me importar com os resultados daquilo que não está sobre o meu controle (ainda tenho meus momentos de fraqueza, mas são cada vez menos frequentes), a minha vida mudou drasticamente. Se eu pudesse resumir esse debate em apenas uma frase, essa frase seria: se preocupe apenas com aquilo que está sobre o seu controle e aprenda a conviver com o desconforto.
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Criador do tópico

CesarFranco - MEMBRO EXCLUSIVO
#892359 Agradeço aos feeds! E é ótimo saber que a alguém serviu.

Fh Chacal escreveu:Muito bom...........E bem escrito.

Sem muito a acrescentar.

Apenas sobre a questão da "Realidade",e como diria
Albert Einstein -

"A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente"


E por falar na Realidade sendo uma ilusão,sempre vejo esse vídeo(curtinho,3 minutos),bem bacana



Ótima sugestão de vídeo. Meu texto tentou seguir a mesma vibe dele.
Para quem gosta dessa pegada mais 'se desfaça das ilusões', o vídeo é mesmo perfeito.

gui.gui escreveu:Primeiramente, parabéns pelo artigo. Achei muito legal a iniciativa, principalmente por ter sido embasado em conhecimentos científicos mesclados com situações vivenciadas. Sem contar que foi bem escrito (coisa rara hoje em dia).

Como tenho interesse sobre psicologia e já li várias coisas a respeito, acho que posso dar uns pitacos.

Não sei se entendi muito bem o que você quis dizer com destronar o próprio Ego. Se for em relação a "aniquilar" o Ego, discordo veemente pois ele sempre estará presente. O que precisamos fazer é aprender a controlar o Ego e aprender a conviver com as artimanhas que ele sempre tentará colocar em execução.

Isso é feito a partir de reflexão e observação das suas próprias sensações e reações. A partir do momento que você sabe como o seu Ego age em determinadas situações, você consegue prever como você vai se sentir daqui a alguns instantes e já consegue elaborar algum plano de reação. Quando esse processo estiver mais desenvolvido (o que pode levar muito tempo), você passa a conseguir conviver com a sensações desconfortáveis.

Acredito que a maestria nesse processo é atingida a partir do momento que você aceita o fato de que algumas coisas não estão sobre o seu controle, então não faz sentido se preocupar com o resultado sobre essas coisas. Você apenas faz o seu melhor e, tendo ciência disso, você sentirá realizado mesmo que o resultado seja negativo. Voltando ao Ego, ele tentará te atormentar com o fato de você ter falhado, mas, você sabendo disso, não se importará com essa sensação pois sabe que fez o seu melhor e o resultado não está sobre o seu controle.

A partir do momento que eu passei a não me importar com os resultados daquilo que não está sobre o meu controle (ainda tenho meus momentos de fraqueza, mas são cada vez menos frequentes), a minha vida mudou drasticamente. Se eu pudesse resumir esse debate em apenas uma frase, essa frase seria: se preocupe apenas com aquilo que está sobre o seu controle e aprenda a conviver com o desconforto.


Realmente, talvez aniquilar o ego seja exagero(ou mesmo impossível). Acredito, porém, que como meta é uma tentativa útil, tipo aquela linha no horizonte que dificilmente se atinge mas que é uma referência. Não sei se um dia eu conseguirei eliminar meu ego, mas tentar fazer isso diariamente é que me permite treinar meu controle sobre ele - que como você disse, é fundamental.

E concordo totalmente sobre aceitar que algumas coisas fogem ao nosso controle! É outra coisa que venho tentando praticar, e que também é a base de muitos pensamentos budistas e orientalistas. É difícil, claro, mas se paramos para pensar no quanto que nos estressamos com coisas que fundamentalmente não podemos fazer nada para mudar, vamos perceber que seria uma libertação incrível conseguir se preocupar só com o que está sob nosso controle.